quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Não pode ser tudo à maneira deles!!!...



"É na Grécia que vai começar, a grande mudança na Europa!..."

Esta convicta mensagem de Alexis Tsipras, no grande comício desta quinta-feira em Atenas, sublinhada pela presença de bandeiras da esquerda italiana ou de Espanha, poderá transformar-se numa incontrolável profecia, cujos contornos dificilmente coincidirão com as fronteiras helénicas.

“É preciso mudar todo o sistema político na Europa. Como gregos, acreditamos primeiro na democracia. Não queremos o divórcio da União Europeia, mas não pode ser tudo à maneira deles.”

Estas palavras de Angelos Christodoulou, um manifestante no meio da multidão ateniense, reflectem o sentimento de um povo e constituirão um sério aviso a... eles, os políticos europeus. 

“Antes votava no Pasok [o partido socialista] mas depois da situação que este criou para o país, para a minha família, para o meu rendimento, mudei. Acho que este partido tem um programa melhor. Sabemos que vai ser difícil, mas temos um bom programa. É nosso dever negociar com os credores, a União Europeia, o FMI, o Banco Central Europeu. É um dever. Não o podemos evitar.”

Thrasivoulos Stavridopoulos, outro cidadão grego apoiante do Syriza, desmistifica e reduz a pó, toda a argumentação catastrofista da direita europeia mais retrógrada e ultra-liberal. A "semente" da irresponsabilidade política, que essa direita há décadas vem descarregando sobre as forças da vanguarda progressista da Europa, já não encontra terreno onde possa germinar...

Aproxima-se a hora da mudança! Na Grécia, em Espanha, na Itália e, num dia não muito distante, em Portugal! Cada povo escolherá o seu caminho, mas...

"Não pode ser tudo à maneira deles"!!!...

Até breve


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Saberemos esperar!...



"... Santana miou condicionando os outros, Marcelo uivou nervoso e dormindo mal à noite com os nervos, Rio também ladrou, mas é um ladrar ainda sem objectivo. E Guterres também vai realizando ruídos, estes mais certos, pois a sua pretensa candidatura a secretário-geral da ONU é apenas uma daquelas conversas, bem conhecidas dos que têm memória, de mais tarde fazer constar que recusou um alto cargo internacional por um imperativo de consciência nacional. Para quem não percebeu, mas bastou na semana passada o desmentido da manchete do Sol - que o retirava da corrida - com uma declaração ao Expresso, Guterres é o candidato da esquerda e é um bom candidato..."
(Rui Calafate, in It's PR Stupid)


"Guterres é o candidato da esquerda e é um bom candidato"!... A análise e as palavras são de Rui Calafate. Por mim, apenas esbocei um sorriso de claro e natural assentimento!...

E veio-me à memória a velha história do macaco que, perseguido pelo leão, conseguiu trepar para o galho mais alto de redentora árvore. E por lá ficou, olhando para a imponente figura leonina, que pacientemente o esperava em baixo, até que a noite caiu e ele ganhou coragem para perguntar, oh escuro, o leão já foi embora, a que o leão, com voz de falsete, terá respondido, que sim, o leão já tinha ido embora. Vai-te catar leão, que o escuro não fala!...

Passo este tempo veloz que me vai carregando de anos, na atroz angústia de sentir o tempo caminhar demasiado devagar, sem que a " leonina e esfíngica figura" plantada em Belém vá embora. E há tanto tempo que escureceu em Portugal...

Pergunto à noite que passa, se ainda falta muito para que o meu país veja essa múmia senil pelas costas. Mas o escuro, cala a desgraça, o escuro nada me diz, porque não fala! Ninguém fala neste país, na hora de chamar os bois pelos nomes...

Ah mas desenganem-se aqueles que miam, uivam e ladram! Nós, os portugueses que acreditam que "António Guterres é o candidato da esquerda e é um bom candidato"...

Saberemos esperar!...

Até breve

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Em Outubro, sinto que seremos capazes!...



"... Portugal coleccionou nos últimos anos um rosário negro de indicadores macroecomómicos e sociais. Desemprego, quebra de rendimentos, pobreza, atingiram recordes de sempre, nos últimos 3 anos. Tal como atingiram máximos de sempre os aumentos de impostos e a injustiça na sua distribuição. 2015 arranca sem nenhuma esperança fundada de melhoria dos indicadores económicos e sociais. O Governo repete a receita cega do austerismo económico e da irresponsabilidade social. Por detrás do OE 2015 escondem-se vários jogos de sombras. Na verdade, são apenas truques destinados a criar, em ano eleitoral, três tipos de convicção: que o pior já passou, que o governo salvou o país e que até o nível de vida já melhorou. Nada mais falso. Sem níveis de investimento e de crescimento suficientes, cenário mais do que provável, agora agravado pelas sombras de deflação que pairam sobre a UE - que continua a ser o maior o principal destino das exportaçóes portuguesas - 2015 será apenas mais um ano desperdiçado.

O próximo Governo, certamente não este, terá como tarefa primordial a renegociação da dívida pública, que aumentou brutalmente nos últimos três anos. No actual formato de amortização, ela consome a maior parte dos recursos necessários para desenvolver o país. É preciso renegociar a dívida. Para libertar recursos, para criar riqueza e podermos pagá-la. É preciso refazer as contas. É preciso negociar prazos de amortização realistas. É preciso rever taxas de juro - algumas já acima dos valores normais de mercado. É preciso termos voz na Europa, agirmos com determinação, capacidade negocial e sem dramatizações. Precisamos uma nova atitude na Europa. Sem complexos, sem subserviências, com ambição para Portugal e para a Europa.

2015, com as eleições de Outubro e a mudança de governo, abre-nos essa oportunidade, essa esperança.
(Ana Gomes, in Causa Nossa)

Coloca-se pela frente a todos nós, portugueses, uma dura e dolorosa gestação de nove meses, até que "a esfíngica figura plantada em Belém", nos conceda a oportunidade de, democraticamente, fazer o que há muito, muito tempo e também democraticamente, um "el-rei" que ninguém pediu e que uma grande maioria hoje detesta e até odeia, deveria ter feito.

As razões fundamentais, se outras não houvesse, estão colocadas de forma clara e inequívoca, no excelente texto de Ana Gomes, de que extraí e publiquei acima, a parcela mais importante, mas por cujo suporte recomendo vivamente a leitura integral.

Que Outubro de 2015 não volte a ser o ritual do costume. Que a tomada de consciência da importância desse acto, por parte de todos aqueles que há mais de três anos veem sentindo o vilipêndio de uma governação desastrosa, seja uma redentora realidade.

"“Sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos”", terá sido a palavra de ordem de Sebastião José de Carvalho e Melo, após o Terramoto de 1755, que outro rei, D. José, bem menos senil e mais pragmático e patriota que o actual, fez valer como lei prioritária e incontornável. E Lisboa foi salva!...

Hoje o quadro, sendo manifestamente tão aterrador como em 1755, revela-se contudo de mais fácil resolução!...

A peste e os mortos, jazem inclausurados de quarentena, nos palácios de Belém e São Bento e nos gabinetes ministeriais. E o seu enterro, em vez do beneplácito régio, dependerá exclusivamente da vontade popular.

Os portos, em vez de fechados, deverão ser abertos de par em par, para exportar a riqueza que formos capazes de produzir e importar apenas aquilo de que tivermos necessidade, numa relação sã, séria e honesta que nos permita viver com dignidade.

Os vivos, cuidar-se-ão a si próprios, desde que, em liberdade, a sua vontade seja respeitada. Porque a saúde, o pão, o tecto, a justiça e a educação dos nossos filhos, decorrerão dessa mesma vontade.

Em Outubro, sinto que seremos capazes!...

Até breve

sábado, 20 de dezembro de 2014

Condenado a ser condenado!...

Imagem retirada do jornal Público


Pelo andar da carruagem, começamos a adivinhar-lhe o destino. De abuso de autoridade em abuso de autoridade, até à machadada mortal, na lisura de processos do Ministério Público.

E se afinal os milhões de Sócrates vierem a aparecer sob a forma de indemnização a pagar pelo Estado?! Querem ver que o homem estará mesmo condenado a ser condenado, por enriquecer de forma lícita?!...

Até breve

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Na mais pura das agnosticidades !...


Abuso de autoridade (8)

A proibição de Sócrates dar entrevistas é mais uma peça do tratamento persecutório dado ao antigo primeiro-ministro. Sujeito às mais vis imputações nos media, alimentadas selectivamente pela acusação, Sócrates vê-se privado de se defender no mesmo terreno. Ora, o direito de defesa não vale somente contra as acusações no processo.

O juiz de instrução, que devia ser o garante das liberdades e dos direitos dos detidos contra a acusação, torna-se um puro instrumento da arbitrariedade autoritária do Ministério Público.
(Publicado por Vital Moreira, in Causa Nossa)

Juntar o ridículo à infâmia

Vai-se tornando cada vez mais evidente que o Ministério Público continua a não ter a mínima base para qualquer acusação contra Sócrates, tal como não tinha quando o mandou deter para interrogatório, nem quando requereu a sua prisão preventiva.

Se tudo o que tem é o que agora mandou para os jornais - segundo o que Sócrates teria pedido dinheiro ao seu amigo rico -, o Ministério Público arrisca-se a somar o ridículo à infâmia. Então quem supostamente tinha recebido milhões em imaginárias "luvas" tem de pedir dinheiro ao amigo?

E foi com base nisto que o juiz de instrução - que devia ser o garante das liberdades contra o Ministério Público e não o carimbo dos abusos deste - aceitou validar a detenção e depois decretar a prisão preventiva, alimentando o achincalhamento público do antigo primeiro-ministro pelo "jornalismo de sarjeta" que floresce entre nós?!


Quando um dos maiores arquitectos do nosso Edifício Constitucional, vem a público, desassombradamente, proferir tão graves acusações, o que deverá pensar para com os seus botões, o modesto cidadão comum?!... 

Por mim, de cabeça erguida, mãos livres e na mais pura das agnosticidades, vou presumindo a inocência de quem, até agora, apenas vi ser julgado na praça pública, por quem na santidade das eucaristias pretende mostrar ao mundo que está de bem com o seu deus!...

Até breve 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

É chegada a hora: Futuro ou Morte !!!...



Afadigam-se os politólogos surfistas, mai-los bruxos comentadores dos nossos jornais, revistas, rádios, televisões, blogs e redes sociais, em tentativas, alienadas ou não, de encontrar nos ventos que no último fim de semana sopraram da FIL, a interpretação mais próxima do verdadeiro sentido das palavras do novo líder socialista.

E desse complexo e outrora poderoso quarto poder, cada vez mais reduzido e insignificante neste país, por via de uma fuga racional e inteligente, a um futuro que nos últimos anos vem sendo pintado de cores dramaticamente mais escuras, ou de uma confrangedora alienação ou sumissão ao poder do pintor, ou ainda e finalmente, de um misto de cobarde alheamento com a recusa consciente de afrontamentos comprometedores, resultando numa estranha adopção dos brandos costumes que nem os quarenta anos de Abril parecem ter erradicado, parecem ter resultado, discursos, opiniões, pensamentos e crónicas, quase tão ridículas como as cartas de amor de Pessoa.

Porém, a meu ver, a mensagem do novo candidato a primeiro-ministro que, como simples e modesto simpatizante socialista, ajudei a escolher, parece-me mais clara e transparente, que as águas puras e cristalinas da nascente hermínia do Mondeguinho: é chegada a hora!...

É chegada a hora de o povo construir com as suas próprias mãos, a maioria absoluta que seja capaz de lhe garantir uma redentora fuga à indigência dos últimos quatro anos.

É chegada a hora de rejeitar liminarmente o "fado" de um famigerado e sempiterno "arco de governação", com o consequente, irrecusável e definitivo desafio ao BE e ao PCP.

É chegada a hora do partido que suporta o actual poder, independentemente de quem o lidere ou possa vir a liderar, Pedro ou Rui, recuse liminarmente a prossecução das políticas que vem tentando implementar e seja capaz de abrir os seus horizontes ao Futuro, numa assumpção de responsabilidades que terá de passar necessariamente, por sadias políticas de partilha e contribuição patriótica, sem complexos nem instintos ideológicos hegemónicos.

Assim, sem meias-tintas e bem longe da carga ideológica e do contexto que rodeou o discurso de Che Guevara, em 11 de Dezembro de 1964, na ONU, António Costa terá deixado implícita a escolha: 

FUTURO OU MORTE!!!...

Até breve