Abuso de autoridade (8)
A proibição de Sócrates dar entrevistas é mais uma peça do tratamento persecutório dado ao antigo primeiro-ministro. Sujeito às mais vis imputações nos media, alimentadas selectivamente pela acusação, Sócrates vê-se privado de se defender no mesmo terreno. Ora, o direito de defesa não vale somente contra as acusações no processo.
O juiz de instrução, que devia ser o garante das liberdades e dos direitos dos detidos contra a acusação, torna-se um puro instrumento da arbitrariedade autoritária do Ministério Público.
(Publicado por Vital Moreira, in Causa Nossa)
Juntar o ridículo à infâmia
Vai-se tornando cada vez mais evidente que o Ministério Público continua a não ter a mínima base para qualquer acusação contra Sócrates, tal como não tinha quando o mandou deter para interrogatório, nem quando requereu a sua prisão preventiva.
Juntar o ridículo à infâmia
Vai-se tornando cada vez mais evidente que o Ministério Público continua a não ter a mínima base para qualquer acusação contra Sócrates, tal como não tinha quando o mandou deter para interrogatório, nem quando requereu a sua prisão preventiva.
Se tudo o que tem é o que agora mandou para os jornais - segundo o que Sócrates teria pedido dinheiro ao seu amigo rico -, o Ministério Público arrisca-se a somar o ridículo à infâmia. Então quem supostamente tinha recebido milhões em imaginárias "luvas" tem de pedir dinheiro ao amigo?
E foi com base nisto que o juiz de instrução - que devia ser o garante das liberdades contra o Ministério Público e não o carimbo dos abusos deste - aceitou validar a detenção e depois decretar a prisão preventiva, alimentando o achincalhamento público do antigo primeiro-ministro pelo "jornalismo de sarjeta" que floresce entre nós?!
Quando um dos maiores arquitectos do nosso Edifício Constitucional, vem a público, desassombradamente, proferir tão graves acusações, o que deverá pensar para com os seus botões, o modesto cidadão comum?!...
Por mim, de cabeça erguida, mãos livres e na mais pura das agnosticidades, vou presumindo a inocência de quem, até agora, apenas vi ser julgado na praça pública, por quem na santidade das eucaristias pretende mostrar ao mundo que está de bem com o seu deus!...
Até breve
