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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Quem não quiser ser lobo, que não lhe vista a pele !!!...



Todos os conhecemos! Andam no meio de nós, como se nada tivesse acontecido ontem, nem possa estar acontecer agora e não possa repetir-se amanhã. Apenas porque o estigma que transportam é invisível, embora lhes conheçam a dor que disfarçam e pudessem apontar num segundo onde se instalou.
 
Haverá milhões que eventualmente terão morrido sem que ao menos ao de leve, alguma vez tenham tomado consciência da trama que os envolveu. Esses, poderemos chamar-lhes de "santos". Morreram na sua inocência e que atire a primeira pedra quem tiver a certeza de que nunca o terá sido, nem que fosse em pensamento.
 
De "arrependidos" deverão ser classificados todos aqueles que no dia em que descobrem a existência de outros deuses na sua igreja, renunciam para sempre à fé original e adoptam outras religiões, ou refugiam-se num agnosticismo quase feroz. Dizem que dificilmente voltarão a ser felizes e assemelhar-se-ão aos que tiveram a felicidade de resistir após uma bala perdida se ter alojado no cérebro e a medicina não ter encontrado processo de a retirar. Viverão, uns e outros, com a mágoa e a bala alojadas no coração e na cabeça, mas salvaguardando a dignidade e a vida. 
 
Mas eu pretendo falar de outros. De uma terceira e última espécie. Daqueles que sendo normalmente os últimos a saber o que lhes aconteceu e aquilo que são, julgam que só eles serão os exclusivos donos desse conhecimento e que se encolherem os ombros e adoptarem a macheza necessária e suficiente, o mundo não os reconhecerá, apontará ou condenará e deles será o reino dos céus. São os "mansos". Todos os conhecemos e andam no meio de nós. E serão fáceis de encontrar, porque a sua existência verificar-se-à muito para além do original círculo afectivo que, erradamente, possa ser entendido como exclusivo. Sempre houve, há e haverá, exemplares de mansos, em todas as áreas que imaginar possamos. Nos negócios, no trabalho, no desporto, nas artes, nas religiões, na política...
 
Este Verão quente que tem varrido Portugal de lés a lés, trouxe-nos um nova "subespécie de mansos"! Francisco Sá Carneiro estará a dar voltas sobre voltas no túmulo, onde infelizmente foi colocado encarquilhado, quem sabe se pelos próprios assassinos. Porque os novos espécimes desta recente evolução "darwiniana", pertencem todos à mesma família política. Irrelevante  e absolutamente supérfluo será para os estudiosos do fenómeno, estabelecer patamares de "mansidão", que varram toda a estrutura, desde as cúpulas até às bases. Excluídos, naturalmente, os antes citados "santos" e "arrependidos", os outros serão todos farinha do mesmo saco. Mansos serão, hoje por hoje, todos os sociais-democratas, que não tenham a coragem de exibir a sua indignação e de levantar a sua voz, contra a desonra do adultério às mãos dos democratas-cristãos, a que as cúpulas do seu partido responderam com um encolher de ombros e um afagar obsceno do umbigo!...  
 
Quem não quiser ser lobo, que não lhe vista a pele !!!...
 
Até breve