quarta-feira, 1 de março de 2017

Ó Domingues, some-te, vai para longe e deixa-nos em paz!...


Começo com uma declaração de interesses: eu gosto do desajeitado Centeno! E ao classificá-lo assim apenas tenho em conta que, a meu ver, o homem não terá o mínimo jeito para ser político, entendendo-se essa faceta como aquela habilidadezinha que os "animais tarimbados nessa selva" evidenciam para produzirem em frente a uma cãmara, microfone, ou no meio dos seus pares, as maiores diatribes e conseguirem sempre levar a água ao seu moinho sem que se engasguem, lhes trema a voz ou dirijam o seu olhar para cima à esquerda. O homem não terá nascido com esse predicado e então é vê-lo a meter os pés pelas mãos em todas as vertentes comunicacionais, negociais e, afinal, em tudo o que não sejam números. Porque aí, goste-se ou não e pese embora a imensa cáfila de detractores que pululam na Direita mais retrógrada da Europa e arredores, o homem é uma máquina a fazer contas - e contas certas, como todos não deixarão de reconhecer, por cá e por essa tal Europa e arredores.

Não me terá surpreendido por isso que o rídículo namoro em que embarcou com o Domingues tenha acabado por dar no que deu: quando um "inocente zé colmeia" se mete com uma "rata velha de esgoto", será certo e sabido que acorda com metade do nariz roído!... 

Obviamente que um outro qualquer "maduro" da política não se teria espalhado ao comprido como Centeno e teria cortado pela raiz o "pecado emergente", dizendo com a maior das descontracções, calma e ênfase do mundo, "desculpem, equivoquei-me, azar meu"! Mas Centeno, "democraticamente", permitiu que jornais e televisões especialistas, fossem construindo meticulosa e maquiavelicamente, episódio sobre episódio deste imenso folhetim que tem vindo a provocar a náusea e o vómito a quase 10 milhões de portugueses e a mim, tão particularmente, que me vi agora obrigado a passar por aqui para deixar um lancinante apelo...

Ó Domingues, some-te, vai para longe e deixa-nos em paz!...

Até breve

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Os deuses devem estar loucos!...


SÓCRATES E CAVACO: A SOMBRA E O FANTASMA


«Não sinto hoje simpatia por José Sócrates e por Cavaco Silva, em quem votei e que me dececionaram por motivos muito diferentes, um dos quais é comum aos dois: a forma rancorosa como olham para os seus adversários políticos, um tique de gente pequena, lamento dizê-lo.

O ex-Presidente lançou agora um livro que considera uma apresentação de contas aos portugueses, sabendo que 99,9% deles não terá acesso à sua leitura ou não verá qualquer interesse no tema. Mas o que a obra revela é uma obsessão por acertar contas com os que se opuseram ao autor, de que é exemplo a classificação de sonolentas que dá às conversas institucionais com Mário Soares, uma pérola de decência à dimensão da oportunidade: Soares já não pode devolver-lhe a parada, e a sua partida, ainda há pouco mais de um mês, torna mais chocante a afronta inútil.

Mas o sentimento revanchista atinge o ponto alto na descrição da sua relação com Sócrates e aí Cavaco – que estará, não duvido, cheio de razão em boa parte do que escreve – volta a perder. Porque malhar politicamente no ex-primeiro-ministro é, por estes tempos, uma triste moda: não se bate num homem caído. Sócrates achará que não, mas o que segue de pé é apenas uma sombra que vagueia e que só um fantasma se lembraria de desafiar.»
(Alexandre Pais, Quinta do Careca)

E por onde andará a bondade dos deuses para permitirem que a "esfíngica figura" tenha regressado dos infernos onde o povo português o colocou?!...

Os deuses devem estar loucos!...

Leoninamente,
Até à próxima

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Saravah Ruth!...


Coisas que o mundo inteiro deveria aprender com Portugal

«Dentre as coisas que mais detesto, duas podem ser destacadas: ingratidão e pessimismo. Sou incuravelmente grata e optimista e, comemorando quase 2 anos em Lisboa, sinto que devo a Portugal o reconhecimento de coisas incríveis que existem aqui - embora pareça-me que muitos nem percebam.

Não estou dizendo que Portugal seja perfeito. Nenhum lugar é. Nem os portugueses são, nem os brasileiros, nem os alemães, nem ninguém. Mas para olharmos defeitos e pontos negativos basta abrir qualquer jornal, como fazemos diariamente. Mas acredito que Portugal tenha certas características nas quais o mundo inteiro deveria inspirar-se.

Para começo de conversa, o mundo deveria aprender a cozinhar com os portugueses. Os franceses aprenderiam que aqueles pratos com porções minúsculas não alegram ninguém. Os alemães descobririam outros acompanhamentos além da batata. Os ingleses aprenderiam tudo do zero. Bacalhau e pastel de nata? Não. Estamos falando de muito mais. Arroz de pato, arroz de polvo, alheira, peixe fresco grelhado, ameijoas, plumas de porco preto, grelos salteados, arroz de tomate, baba de camelo, arroz doce, bolo de bolacha, ovos moles.

Mais do que isso, o mundo deveria aprender a se relacionar com a terra como os portugueses se relacionam. Conhecer a época das cerejas, das castanhas e da vindima. Saber que o porco é alentejano, que o vinho é do Douro. Talvez o pequeno território permita que os portugueses conheçam melhor o trajecto dos alimentos até à sua mesa, diferente do que ocorre, por exemplo, no Brasil.

O mundo deveria saber ligar a terra à família e à história como os portugueses. A história da quinta do avô, as origens trasmontanas da família, as receitas típicas da aldeia onde nasceu a avó. O mundo não deveria deixar o passado escoar tão rapidamente por entre os dedos. E se alguns dizem que Portugal vive do passado, eu tenho certeza de que é isso o que os faz ter raízes tão fundas e fortes.

O mundo deveria ter o balanço entre a rigidez e a afecto que têm os portugueses.

De nada adiantam a simpatia e o carisma brasileiros se eles nos impedem de agir com a seriedade e a firmeza que determinados assuntos exigem. O deputado Jair Bolsonaro, que defende ideias piores que as de Donald Trump, emergiu como piada e hoje se fortalece como descuido no nosso cenário político. Nem Bolsonaro nem Trump passariam em Portugal. Os portugueses - de direita ou de esquerda - não riem desse tipo de figura, nem permitem que elas floresçam.

Ao mesmo tempo, de nada adianta o rigor japonês que acaba em suicídio, nem a frieza nórdica que resulta na ausência de vínculos. Os portugueses são dos poucos povos que sabem dosar rigidez e afecto, acidez e doçura, buscando sempre a medida correcta de cada elemento, ainda que de forma inconsciente.

Todo país do mundo deveria ter uma data como o 25 de Abril para celebrar. Se o Brasil tivesse definido uma data para celebrar o fim da ditadura, talvez não observássemos com tanta dor a fragilidade da nossa democracia. Todo país deveria fixar o que é passado e o que é futuro através de datas como essa.

Todo idioma deveria carregar afecto nas palavras corriqueiras como o português de Portugal carrega. Gosto de ser chamada de miúda. Gosto de ver os meninos brincando e ouvir seus pais chama-los carinhosamente de putos. Gosto do uso constante de diminutivos. Gosto de ouvir “magoei-te?” quando alguém pisa no meu pé. Gosto do uso das palavras de forma doce.

O mundo deveria aprender a ter modéstia como os portugueses - embora os portugueses devessem ter mais orgulho desse país do que costumam ter. Portugal usa suas melhores características para aproximar as pessoas, não para afastá-las. A arrogância que impera em tantos países europeus, passa bem longe dos portugueses.

O mundo deveria saber olhar para dentro e para fora como Portugal sabe. Portugal não vive centrado em si próprio como fazem os franceses e os norte americanos. Por outro lado, não ignora importantes questões internas, priorizando o que vem de fora, como ocorre com tantos países colonizados.

Portugal é um país muito mais equilibrado do que a média e é muito maior do que parece. Acho que o mundo seria melhor se fosse um pouquinho mais parecido com Portugal. Essa sorte, pelo menos, nós brasileiros tivemos.»

(Ruth Manus, Crónica, in Observador)


Além de bonita e inteligente, é capaz de nos ver com estes olhos!...

Merece um beijo de todos nós. Grande e doce...

Saravah Ruth!...

Até breve

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Afinal patriotismo o que é?!...




O Jornal de Negócios entendeu há pouco mais de uma hora entreabrir a cortina negra que se abateu sobre a Caixa, depois de uns quantos terem decidido fazer a vida negra à geringonça, por mor dos seus excelsos umbigos.

A História muito raramente se debruça sobre a transcendência umbilical de actores secundários, mas estou em crer que poderá vir a registar o êxito do melhor director geral dos impostos de que todos nos lembraremos e que viria a conseguir mais tarde ser o único ministro decente e competente de um Governo de uma Direita inclassificável, a quem hoje todos rezamos pela alma, sem missinhas de sétimo dia e muito menos com flores na campa.

Julgo que Paulo Macedo seria incapaz de ir comprar à pressa a gravata vermelha que apresenta por detrás da cortina. Mas tenho a plena convicção de que depois das primeiras reticências com que brindou Centeno, acabou por ceder ao apelo de uma missão patriótica que lhe assenta como uma luva.

Será tempo de Catarina não confundir Macedo com Domingues e abandonar de vez o hábito de lançar em dias de mau acordar, alguns grãos de areia sobre as engrenagens da geringonça!...

Afinal patriotismo o que é?!...

Até breve

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

"Mais lento, mais baixo, mais fraco"!...


"Citius, Altius, Fortius" é o lema olímpico que Pierre de Coubertin nos legou, juntamente com a maior realização desportiva que todos vivemos de quatro em quatro anos e que até hoje a Humanidade não conseguiu superar.

Por cá, dentro do padrão de mediocridade que transportamos há séculos, ao lema "mais rápido, mais alto, mais forte" opomos com a nossa peculiar jactância, se o meu tradutor de latim não me enganou,"tardior, inferior, debilior":

"Mais lento, mais baixo, mais fraco"!...

Até breve

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Afinal o povo não será tão estúpido quanto ele o fazia!...


Uma carga considerável de boa vontade chamar de "semana horribilis" ao que tem sido um verdadeiro "annus horribilis" da personagem!...

A cair vertiginosamente nas sondagens - mesmo valendo o que valem! - e a assistir, incrédulo e mau perdedor, à transformação da "geringonça" num fatídico e gigantesco "besidróglio" que, à medida que lhe inunda a "caixa de correio" vai desbaratando em cada dia a sua capacidade de sofrimento, o "pinóquio" é um homem só, que só o "andor" de uma comunicação social generalizadamente bem pior do que ele, ainda lhe vai sustentando a imagem e camuflando os dias - e os rios, e os rios! -  piores que se avizinham.

Afinal o povo não será tão estúpido quanto ele o fazia!...

Até breve

sábado, 12 de novembro de 2016

Segundo as estrelas, não ficaríamos a perder!...


O filme da Caixa é o filme de Portugal

«Um tipo é convidado para gerir um grande banco. Pede um mês ao governo para reflectir. Tem um bom emprego noutra instituição financeira, ganha muito bem, está em fim da carreira, embora ainda lhe falte chegar ao topo - ser ele o número um e logo de um peso-pesado, o maior de todos -, e esta apresenta-se como a derradeira oportunidade. O ego diz logo que sim e pressiona, entusiasma-se, mas os riscos profissionais e reputacionais são evidentes. O banco é público, a pressão externa é por isso infinitamente maior, pode ser penosa, além disso as contas estão más, é preciso passar o balanço a pente fino, e o país não ajuda a puxar a carroça para a frente. O vento é contrário e muitas vezes forte. Há ainda o risco de intervenção partidária, uma tentação crónica com raízes antigas na Caixa Geral de Depósitos, embora hoje em menor grau face à actual incerteza económica. Ou melhor, à míngua de dinheiro.

Para evitar que estas pragas bíblicas aconteçam, o gestor - estimado leitor, apresento-lhe António Domingues - fala com um advogado tubarão e com amigos habituados a estes assuntos escorregadios que envolvem o Estado e os seus múltiplo satélites. Concluem todos que, para que ele aceite a oferta de emprego, tem de resolver previamente três pontos essenciais: o salário tem de estar em linha com o que se paga no sector; a estratégia de recuperação do banco e a injecção de capital que é preciso concretizar quanto antes têm de ficar acordadas à partida para evitar conflitos logo no início com o accionista (o Estado) e também com Bruxelas; finalmente, a equipa de gestão terá de ficar isenta de algumas obrigações, tais como o envio da declaração de rendimentos e património ao Tribunal Constitucional.

Qual a justificação para esta última exigência, nada habitual e até estranha, talvez até suspeita? Domingues não quer ver a sua vida exposta nos jornais e nas televisões, a dele e a dos outros administradores que pretende convidar. Exige, por isso, alguma salvaguarda e protecção ao que supõe ser a sua vida privada. Mas aceita enviar a informação para o Banco de Portugal e para a Inspecção-Geral de Finanças, como também aconteceria no privado, além de se comprometer a deixar o dossiê no cofre da Caixa para que possa ser consultado quando for preciso - se surgirem dúvidas.

O ministro que lhe faz o convite - estimado leitor, apresento-lhe Mário Centeno -, depois de reflectir os prós e os contras, aceita as condições, incluindo a última, a mais bizarra. Centeno acredita que António Domingues lhe dá todas as garantias profissionais necessárias para reabilitar um banco em apuros. O banqueiro traz com ele a experiência acumulada no BPI, o que evita o que tantas vezes acontece na Caixa Geral de Depósitos: gestores que vão estagiar para o lugar, alguns sem qualquer experiência na área financeira e até candidamente desprovidos de qualquer instinto empresarial ou sentido económico, o que implica sempre uma elevada factura expressa em negócios sem pés nem cabeça.

O ministro das Finanças acredita ainda que o caminho do banco público tem de ser este e que não há alternativa melhor. Embora fiscalizado pela tutela - o seu ministério - e demais reguladores, Mário Centeno defende que a Caixa tem de ter um estatuto em grande medida equivalente aos concorrentes nacionais e internacionais, porque esta é a única forma de o tornar competitivo, e então decide isentar a administração da CGD do cumprimento do estatuto do gestor público.

A mudança legislativa é feita, passa pelo Parlamento, viaja por Belém e ninguém levanta um único dedo até que Marques Mendes - um bom amigo aqui desta coluna - se pôs a ler o Diário da República, um hábito que ele tem desde os tempos do liceu, e descobriu a pólvora: então António Domingues, além da montanha de dinheiro que vai cobrar (30 mil euros brutos por mês, mais prémios), também estava dispensado de enviar a sacrossanta declaração ao Tribunal Constitucional? O escândalo ainda não parou de acontecer desde esse fatídico dia, mas António Domingues não arreda pé e não cede. E parte do governo, durante uma reunião do Conselho de Ministros, além da bancada parlamentar do PS, já começou a procurar espaço político para reduzir os danos na imagem do primeiro-ministro, inevitavelmente envolvido na confusão. A substituição de António Domingues, se ele entretanto não mudar de opinião - o que pode sempre acontecer, embora pareça de todo improvável -, é então uma questão de tempo e de oportunidade. Talvez a notícia se torne pública a meio de um jogo de futebol ou de um disparate dito por Donald Trump e assim dê um pouco menos nas vistas.

O pior disto tudo é que Portugal funciona assim. Mudam-se as leis, as leis são aprovadas e fiscalizadas mas não excluem outras que se sobrepõe e cruzam, e de repente está montada a maior das confusões no maior banco público. Entre a inflexibilidade de António Domingues, a inexperiência política de Mário Centeno e o oportunismo tosco recheado de demagogia que prospera pelo país, não sei bem como acabará esta história. Provavelmente como uma oportunidade perdida. Certamente como um espelho fiel do Portugal que ainda somos.»

Haverá alguma incompatibilidade entre a extensão do texto desta crónica de André Macedo e as peculiares características que deverão dar forma a um blog. Mas a regra sempre andará de braço dado com a excepção e há matérias que sempre o hão-de impôr. O "filme da Caixa" será um bom exemplo e ainda não me terá sido dado o privilégio de ler outro trabalho com a profundidade e clareza deste. Daí o risco assumido que decidi correr ao publicá-lo aqui. Até porque me poupa a mim a considerações que já comporta.

Tenho muita dificuldade em identificar-me com a candura, ainda que sob o respeitável xaile da amizade, com que AM entrega os louros da "interrupção da gravidez" a uma figura parda e pouco merecedora da minha admiração como Marques Mendes, conhecido que é o seu desprendimento em relação a matérias semelhantes de flagrante colisão de privilégios com a coisa pública. Algo me diz que a inveja ou outros sentimentos ainda menos edificantes, terão estado na origem da "rebelião". E nada me garante ter sido o "ganda nóia" a primeira e a única voz que abalou o silêncio em que decorriam as filmagens.

Mas a rodagem deste filme pouca diferença exibirá com as consequências que naturalmente resultam, quando alguém decide atirar um punhado de lama sobre um potente ventilador: ninguém em redor se poderá gabar de não ficar enlameado! E convenhamos que completamente enlameada terá ficado toda a nata da nossa política actual, desde o vértice da pirâmide, com o mais alto magistrado da nação a sacudir demasiado tarde as pérolas de lama que lhe salpicaram o fato luzidio e bem engomadinho. Daí para baixo, julgo que ninguém terá escapado, do governo à câmara dos nossos representantes e nesta, da direita à esquerda e vice-versa! E cada um com razões mais fortes que o parceiro do lado! O tal "Portugal que ainda somos"!...

Não acredito que António Domingues venha a negociar aquele mínimo de dignidade que um homem jamais deverá negociar, seja em troca do Sol ou mesmo da Liberdade! E depois do macabro filme que sem pudor nos foi dado apreciar, desejo, muito sinceramente, que não o faça...

Até porque, segundo as estrelas, não ficaríamos a perder!...

Até breve