quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Afinal patriotismo o que é?!...




O Jornal de Negócios entendeu há pouco mais de uma hora entreabrir a cortina negra que se abateu sobre a Caixa, depois de uns quantos terem decidido fazer a vida negra à geringonça, por mor dos seus excelsos umbigos.

A História muito raramente se debruça sobre a transcendência umbilical de actores secundários, mas estou em crer que poderá vir a registar o êxito do melhor director geral dos impostos de que todos nos lembraremos e que viria a conseguir mais tarde ser o único ministro decente e competente de um Governo de uma Direita inclassificável, a quem hoje todos rezamos pela alma, sem missinhas de sétimo dia e muito menos com flores na campa.

Julgo que Paulo Macedo seria incapaz de ir comprar à pressa a gravata vermelha que apresenta por detrás da cortina. Mas tenho a plena convicção de que depois das primeiras reticências com que brindou Centeno, acabou por ceder ao apelo de uma missão patriótica que lhe assenta como uma luva.

Será tempo de Catarina não confundir Macedo com Domingues e abandonar de vez o hábito de lançar em dias de mau acordar, alguns grãos de areia sobre as engrenagens da geringonça!...

Afinal patriotismo o que é?!...

Até breve

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

"Mais lento, mais baixo, mais fraco"!...


"Citius, Altius, Fortius" é o lema olímpico que Pierre de Coubertin nos legou, juntamente com a maior realização desportiva que todos vivemos de quatro em quatro anos e que até hoje a Humanidade não conseguiu superar.

Por cá, dentro do padrão de mediocridade que transportamos há séculos, ao lema "mais rápido, mais alto, mais forte" opomos com a nossa peculiar jactância, se o meu tradutor de latim não me enganou,"tardior, inferior, debilior":

"Mais lento, mais baixo, mais fraco"!...

Até breve

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Afinal o povo não será tão estúpido quanto ele o fazia!...


Uma carga considerável de boa vontade chamar de "semana horribilis" ao que tem sido um verdadeiro "annus horribilis" da personagem!...

A cair vertiginosamente nas sondagens - mesmo valendo o que valem! - e a assistir, incrédulo e mau perdedor, à transformação da "geringonça" num fatídico e gigantesco "besidróglio" que, à medida que lhe inunda a "caixa de correio" vai desbaratando em cada dia a sua capacidade de sofrimento, o "pinóquio" é um homem só, que só o "andor" de uma comunicação social generalizadamente bem pior do que ele, ainda lhe vai sustentando a imagem e camuflando os dias - e os rios, e os rios! -  piores que se avizinham.

Afinal o povo não será tão estúpido quanto ele o fazia!...

Até breve

sábado, 12 de novembro de 2016

Segundo as estrelas, não ficaríamos a perder!...


O filme da Caixa é o filme de Portugal

«Um tipo é convidado para gerir um grande banco. Pede um mês ao governo para reflectir. Tem um bom emprego noutra instituição financeira, ganha muito bem, está em fim da carreira, embora ainda lhe falte chegar ao topo - ser ele o número um e logo de um peso-pesado, o maior de todos -, e esta apresenta-se como a derradeira oportunidade. O ego diz logo que sim e pressiona, entusiasma-se, mas os riscos profissionais e reputacionais são evidentes. O banco é público, a pressão externa é por isso infinitamente maior, pode ser penosa, além disso as contas estão más, é preciso passar o balanço a pente fino, e o país não ajuda a puxar a carroça para a frente. O vento é contrário e muitas vezes forte. Há ainda o risco de intervenção partidária, uma tentação crónica com raízes antigas na Caixa Geral de Depósitos, embora hoje em menor grau face à actual incerteza económica. Ou melhor, à míngua de dinheiro.

Para evitar que estas pragas bíblicas aconteçam, o gestor - estimado leitor, apresento-lhe António Domingues - fala com um advogado tubarão e com amigos habituados a estes assuntos escorregadios que envolvem o Estado e os seus múltiplo satélites. Concluem todos que, para que ele aceite a oferta de emprego, tem de resolver previamente três pontos essenciais: o salário tem de estar em linha com o que se paga no sector; a estratégia de recuperação do banco e a injecção de capital que é preciso concretizar quanto antes têm de ficar acordadas à partida para evitar conflitos logo no início com o accionista (o Estado) e também com Bruxelas; finalmente, a equipa de gestão terá de ficar isenta de algumas obrigações, tais como o envio da declaração de rendimentos e património ao Tribunal Constitucional.

Qual a justificação para esta última exigência, nada habitual e até estranha, talvez até suspeita? Domingues não quer ver a sua vida exposta nos jornais e nas televisões, a dele e a dos outros administradores que pretende convidar. Exige, por isso, alguma salvaguarda e protecção ao que supõe ser a sua vida privada. Mas aceita enviar a informação para o Banco de Portugal e para a Inspecção-Geral de Finanças, como também aconteceria no privado, além de se comprometer a deixar o dossiê no cofre da Caixa para que possa ser consultado quando for preciso - se surgirem dúvidas.

O ministro que lhe faz o convite - estimado leitor, apresento-lhe Mário Centeno -, depois de reflectir os prós e os contras, aceita as condições, incluindo a última, a mais bizarra. Centeno acredita que António Domingues lhe dá todas as garantias profissionais necessárias para reabilitar um banco em apuros. O banqueiro traz com ele a experiência acumulada no BPI, o que evita o que tantas vezes acontece na Caixa Geral de Depósitos: gestores que vão estagiar para o lugar, alguns sem qualquer experiência na área financeira e até candidamente desprovidos de qualquer instinto empresarial ou sentido económico, o que implica sempre uma elevada factura expressa em negócios sem pés nem cabeça.

O ministro das Finanças acredita ainda que o caminho do banco público tem de ser este e que não há alternativa melhor. Embora fiscalizado pela tutela - o seu ministério - e demais reguladores, Mário Centeno defende que a Caixa tem de ter um estatuto em grande medida equivalente aos concorrentes nacionais e internacionais, porque esta é a única forma de o tornar competitivo, e então decide isentar a administração da CGD do cumprimento do estatuto do gestor público.

A mudança legislativa é feita, passa pelo Parlamento, viaja por Belém e ninguém levanta um único dedo até que Marques Mendes - um bom amigo aqui desta coluna - se pôs a ler o Diário da República, um hábito que ele tem desde os tempos do liceu, e descobriu a pólvora: então António Domingues, além da montanha de dinheiro que vai cobrar (30 mil euros brutos por mês, mais prémios), também estava dispensado de enviar a sacrossanta declaração ao Tribunal Constitucional? O escândalo ainda não parou de acontecer desde esse fatídico dia, mas António Domingues não arreda pé e não cede. E parte do governo, durante uma reunião do Conselho de Ministros, além da bancada parlamentar do PS, já começou a procurar espaço político para reduzir os danos na imagem do primeiro-ministro, inevitavelmente envolvido na confusão. A substituição de António Domingues, se ele entretanto não mudar de opinião - o que pode sempre acontecer, embora pareça de todo improvável -, é então uma questão de tempo e de oportunidade. Talvez a notícia se torne pública a meio de um jogo de futebol ou de um disparate dito por Donald Trump e assim dê um pouco menos nas vistas.

O pior disto tudo é que Portugal funciona assim. Mudam-se as leis, as leis são aprovadas e fiscalizadas mas não excluem outras que se sobrepõe e cruzam, e de repente está montada a maior das confusões no maior banco público. Entre a inflexibilidade de António Domingues, a inexperiência política de Mário Centeno e o oportunismo tosco recheado de demagogia que prospera pelo país, não sei bem como acabará esta história. Provavelmente como uma oportunidade perdida. Certamente como um espelho fiel do Portugal que ainda somos.»

Haverá alguma incompatibilidade entre a extensão do texto desta crónica de André Macedo e as peculiares características que deverão dar forma a um blog. Mas a regra sempre andará de braço dado com a excepção e há matérias que sempre o hão-de impôr. O "filme da Caixa" será um bom exemplo e ainda não me terá sido dado o privilégio de ler outro trabalho com a profundidade e clareza deste. Daí o risco assumido que decidi correr ao publicá-lo aqui. Até porque me poupa a mim a considerações que já comporta.

Tenho muita dificuldade em identificar-me com a candura, ainda que sob o respeitável xaile da amizade, com que AM entrega os louros da "interrupção da gravidez" a uma figura parda e pouco merecedora da minha admiração como Marques Mendes, conhecido que é o seu desprendimento em relação a matérias semelhantes de flagrante colisão de privilégios com a coisa pública. Algo me diz que a inveja ou outros sentimentos ainda menos edificantes, terão estado na origem da "rebelião". E nada me garante ter sido o "ganda nóia" a primeira e a única voz que abalou o silêncio em que decorriam as filmagens.

Mas a rodagem deste filme pouca diferença exibirá com as consequências que naturalmente resultam, quando alguém decide atirar um punhado de lama sobre um potente ventilador: ninguém em redor se poderá gabar de não ficar enlameado! E convenhamos que completamente enlameada terá ficado toda a nata da nossa política actual, desde o vértice da pirâmide, com o mais alto magistrado da nação a sacudir demasiado tarde as pérolas de lama que lhe salpicaram o fato luzidio e bem engomadinho. Daí para baixo, julgo que ninguém terá escapado, do governo à câmara dos nossos representantes e nesta, da direita à esquerda e vice-versa! E cada um com razões mais fortes que o parceiro do lado! O tal "Portugal que ainda somos"!...

Não acredito que António Domingues venha a negociar aquele mínimo de dignidade que um homem jamais deverá negociar, seja em troca do Sol ou mesmo da Liberdade! E depois do macabro filme que sem pudor nos foi dado apreciar, desejo, muito sinceramente, que não o faça...

Até porque, segundo as estrelas, não ficaríamos a perder!...

Até breve

Vá lá Domingues, vê se te despachas!...



Vá lá Domingues, vê se te despachas!...

Até breve

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Cumprir Abril com o passo certo?!...



Quanto mais o pinóquio laranja amarga mai-la pindérica garnizé de crista roxa insistem em aparecer a qualquer hora do dia ou da noite nas televisões, mais os números das sondagens se viram contra eles!...

O PS além de ser a força política a contabilizar mais votos se as eleições tivessem lugar neste momento, alcança pela primeira vez nesta sondagem um total de intenções de voto igual à soma dos dois partidos de Direita que, com o apoio da Esquerda, atirou para bem longe do poder. 

Se a esta circunstância somarmos um outro facto tão ou mais significativo ainda, de os três partidos de esquerda que constituem a maioria parlamentar que suporta a famigerada e apelidada por Paulo Portas de "geringonça", começarem a apontar para que possa vir a ser alcançada nas próximas eleições uma maioria absoluta nunca verificada desde a madrugada redentora de 25 de Abril, então um novo desafio será colocado a Paulo Portas: encontrar na língua portuguesa o antónimo de "geringonça" que ela ainda não possui e que signifique qualquer coisa com a qual o povo se identifica!...

CUMPRIR ABRIL COM O PASSO CERTO???!!!...

Até breve

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

E... a tempestade há-de passar!...


É amarga, mas justa, a lição que Donald Trump acabou de nos dar

Trump ganhou. Nós perdemos. Por nós quero eu dizer os meios de comunicação social dos EUA e da Europa. Segundo as histórias que nós contámos aos leitores e uns aos outros o que acaba de acontecer era impossível.

As nossas sondagens e opiniões – incluindo as minhas – não só se enganaram redondamente como contribuiram para criar um perigoso unanimismo que fez correr uma cortina de fumo digno dos propagandistas oficiais dos estados totalitários.

Eu leio todas as semanas duas revistas conservadoras americanas – The Weekly Standard e National Review. Leio todos os dias o igualmente pro-Republicano Wall Street Journal. Em nenhum deles fui avisado que Trump poderia ganhar.

Sinto-me vítima de uma conspiração – não da parte de Trump mas da parte dos media. Aquilo que aconteceu não foi a cobertura das eleições americanas, mas antes uma vasta campanha publicitária a favor de Hillary Clinton onde até revistas apolíticas como a Variety participaram.

Donald Trump foi sujeito à maior e mais violenta campanha de ataques pessoais que alguma vi na minha vida. Todos as principais publicações alinharam entusiasticamente. Sem recorrer a sites de extrema-direita o único site que defendia Trump foi o extraordinário Drudge Report. Foi só através dele que comecei a achar – e aqui vim dizer – que o eleitorado reage sempre mal às ordens paternalistas dadas por uma unanimidade de comentadores, jornalistas e celebridades.

A eleição de Donald Trump foi um triunfo da democracia e uma derrota profunda dos meios de comunicação social.

Claro que Trump não é nenhum outsider. É um bilionário que sempre fez parte da ordem estabelecida, da elite que dá as ordens e manda na economia dos EUA. É um amigo de Hillary e Bill Clinton que só se tornou ex-amigo porque lhe deu na gana ser presidente dos EUA.

Agora é. Conseguiu o que queria. Há-de voltar as costas ao eleitorado que o elegeu logo que perceba que a única coisa que esse eleitorado tinha para lhe dar já foi dado: os votos de que ele precisava para ser eleito.

Já fez o elogio de Hillary Clinton. Já disse que vai representar todos os americanos. Vai-se tornar lentamente um republicano moderado e liberal. Os oportunistas têm sempre essa vantagem da metamorfose.

Trump ganhou contra grande parte do Partido Republicano mas foi graças a ele que o Partido Republicano manteve a maioria no Senado e no Congresso. Se Trump fosse o populista aventureiro que finge ser aproveitaria para minar o sistema político vigente, tirando partido do poder político pessoal que agora tem.

Mas não fará nada disso. O Partido Republicano tem agora tudo na mão.

Trump presidirá à complacência do poder político instalado, do poder recuperado das mãos de Obama. O velho sistema político será reforçado e os beneficiários serão os de sempre: os que menos precisam.

E os media? Que vamos nós fazer? Continuar em campanha? Continuar a enganarmo-nos e a enganar quem nos lê?

Mostrarmo-nos surpreendidos e atónitos não chega. Só revela o mau trabalho que fizemos. Dizer que foi um choque, que ninguém estava à espera só aponta para o mundo ilusório onde reside a nossa própria zona de conforto.

Não é Trump que tem de dar uma reviravolta. Somos nós. Trump ganhou porque foi eleito. Nós perdemos porque fomos derrotados pelos nossos próprios preconceitos e pelo excesso de zelo com que perseguimos a vitória de Hillary Clinton.

É um dia feliz para Donald Trump e para a maioria que o elegeu. Para nós é um dia triste e, do ponto de vista profissional, pelo menos para mim, vergonhoso.»
(Miguel Esteves Cardoso, Opinião, in Público)


Miguel Esteves Cardoso oferece-nos nesta sua crónica acabada de chegar ainda a fumegar de teclas batidas com o espanto e a decepção semelhantes aos que a quase todos nós assistem neste momento.

MEC assume a sua e nossa derrota. E mostra sem constrangimento ou preconceito as suas e nossas feridas. Mas suaviza-as com o bálsamo da lucidez que talvez nos falte nesta hora quase universalmente dramática. Nem ele saberá o bem que nos trazem as suas palavras.


Donald Trump não será o Adolf Hitler moderno. Não poderá fazer tudo aquilo que o "führer" pôde fazer ante a alienada e unânime saudação nazi do Partido Nacional-Socialista Alemão. O Partido Republicano sob a bandeira do qual acaba de ser eleito e a quem o povo americano, ironicamente, acaba de entregar plenos poderes - maioria incontornável no Senado e no Congresso! -  na política americana, não permitirá que um louco governe o mundo...

Esse mundo globalizado que nos envolve, certamente que será abalado. Como o confirmam já os indicadores que nos chegam dos mercados financeiros e bolsistas de todos os continentes. Mas o espectro da recessão económica americana e a sua repercussão a nível global, que os prognósticos de inúmeros especialistas já apontam para 2018, será o colossal alerta para que o Partido Republicano proceda com Trump, como no passado os "cowboys" procederam com os "mustangs" das pradarias americanas...

E... a tempestade há-de passar!...

Até breve