quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Só um cataclismo me fará voltar a votar neste PS!...


O silêncio dos indecentes


«A memória fica anotada e não é renovável. Após dois anos, a primeira emboscada à Geringonça não aparece pela mão das linhas vermelhas do BE ou das ortodoxias do PCP: a primeira traição surge pelos interesses instalados no PS. Após um fim-de-semana seguramente eléctrico, o PS usou do silêncio dos indecentes e coloca-se na casa de partida para a posição "boomerang". O acordo com o BE, negociado, estabelecido e votado favoravelmente em especialidade na passada sexta, foi avocado pelo PS no plenário de segunda para que a votação fosse repetida, possibilitando a alteração do sentido de voto e dando o dito por não aprovado, sem qualquer justificação senão a cedência obscena aos interesses instalados no sector energético.

A conta, essa, sai dos bolsos dos portugueses que, perante o flic flac socialista, deixam de poder poupar 250 dos 400 milhões de euros que, por razões de conveniência, pagamos escandalosamente a mais para as renováveis. Condenados à mais alta factura de electricidade da Europa. Amarrados contra um poste, este é o momento de mais alta tensão na coligação parlamentar e - contrariamente aos especialistas de futurologia do ex-arco da governação e dos bloqueios centrais - é provocado pela falta de capacidade, compromisso e honra de um PS amarrado a um poste, como refém. Muito se diria do BE e do PCP se fossem estes a mudar de opinião após um fim-de-semana eléctrico.

Dividido mas obediente, o que dirá o PS de si mesmo? Poucas são as vozes que contrariam o revisionismo. Ana Gomes, deputada europeia, declara que também votaria a favor da proposta do BE, manifestando o desapontamento. Ascenso Simões, deputado socialista, vota a favor ao arrepio da bancada socialista. E tanto silêncio. Alguém poderá explicar o porquê da EDP Renováveis ter apenas 12% da sua actividade em Portugal enquanto aqui obtém 27% dos seus lucros? É defensável que a energia seja vendida noutros países pela mesma empresa a preço não subsidiado, colocando a nossa tarifa a preços irrazoáveis e sobrecarregando a dívida tarifária das famílias e empresas? Como pode o PS, à semelhança do PSD (que se absteve) e do CDS (que também votou contra), correr na contramão em 48 horas, boicotando a mais do que evidente necessidade de correcção e ajuste às rendas excessivas das eléctricas portuguesas? Tomai, todos, e bebei: esta é parte da factura da privatização da EDP, derramada por nós.»
(Miguel Guedes, Opinião, in JN , hoje às 00:07)


Confesso-me, ainda atordoado, que não sinto em mim de momento capacidade para avaliar, nem sequer aproximadamente, quantos votos de mulheres e homens de esquerda, terá o PS perdido nas próximas Legislativas, com esta cedência obscena aos interesses instalados no sector energético.

Uma coisa tenho por praticamente adquirida, depois desta violência a que António Costa e seus acólitos me submeteram...

Só um cataclismo me fará voltar a votar neste PS!...

Até breve

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