quarta-feira, 29 de maio de 2019

E com Outubro já tão perto!...


A direita entrou num túnel sem luz ao fundo

«Sabem como é que a direita poderá ganhar as próximas eleições? De maneira nenhuma. Rui Rio vai perder. Mas se lá estivesse Pedro Passos Coelho, perderia também. A derrota é inevitável face à estratégia que António Costa e Mário Centeno montaram nos últimos anos. Eles governaram suficientemente à esquerda para que a esquerda não se sentisse traída com as brutais cativações; e governaram suficientemente à direita para que a direita mais centrista não fugisse a sete pés. Como Portugal, neste momento, não aspira a muito mais do que a ausência de uma tragédia e a pequenos ganhos incrementais, o que aí está não entusiasma ninguém, mas assegura os mínimos.

Com o vento do crescimento pelas costas e uma indiscutível preocupação em cumprir as metas de Bruxelas, o Governo de António Costa governou com a competência necessária para que o país prefira o original à cópia laranja. Como se viu pela abstenção e pelo resultado poucochinho, a onda rosa não existe, o PS continua a ter os péssimos hábitos de quem se julga dono disto tudo (veja-se o caso Familygate) e a bancarrota socrática deixou marcas profundas. Ninguém acredita numa maioria absoluta. Mas os portugueses são pragmáticos, olham à volta e não vêem ninguém melhor em quem votar. Eu compreendo-os. Após a crise dos professores, o socialismo costista apareceu como um dois em um, simultaneamente capaz de devolver rendimentos na medida das possibilidades do país e não ceder às reivindicações demasiado despesistas. Ao darem o braço à esquerda radical, Rio e Assunção entregaram de bandeja a Costa o único trunfo que tinham do seu lado. Os resultados destas eleições são também consequência de um dos mais estapafúrdios hara-kiris da política portuguesa.

Mas, se o hara-kiri não tivesse existido, o PS teria ganho na mesma. O erro dos professores não surge por acaso — ele nasce do desespero e da consciência de não existirem votos suficientes à direita para que esta possa chegar ao poder sem que o diabo venha. A única coisa que essa crise fez foi agravar a desorientação de dois partidos manietados por um quebra-cabeças sem solução: aquilo que a direita pode propor de diferente não chega para ganhar; e se a direita propuser o mesmo que os outros não se diferencia deles e trai o seu passado. É um dilema e peras, e nesse sentido talvez convenha ser um pouco mais compreensivo em relação a Rui Rio — os seus erros são imensos, mas a sua tarefa é, neste contexto, colossal.

Apesar de a esquerda ter tido mais de dois terços dos votos nestas eleições, não acredito que a oposição interna do PSD desate outra vez aos gritos, propondo a substituição de Rio. Algum veneno será destilado, com certeza, mas não em demasia, porque ninguém deseja que Rio morra já. E a razão para esta aparente compaixão é aquela que acabei de referir: Rui Rio tem neste momento um dos piores empregos de Portugal, e a sua caminhada até Outubro vai assemelhar-se à do condenado à morte em direcção ao patíbulo. Ele é um dead man walking.

A direita cometeu — e continua a cometer — um erro tremendo: não percebeu que a dupla Costa/Centeno era muito melhor do que ela pensava, e que aquilo que aconteceu ao longo destes quatro anos não foi apenas um golpe de sorte ou uma conjuntura internacional favorável. Foi uma estratégia gizada com brilhantismo, que ofereceu ao PS o monopólio do centro político português, enquanto o PSD se entretinha a lamber as feridas de 2015. O resultado está à vista.»
(João Miguel Tavares, Opinião, in Público, em 28 Maio 2019 às 06:02) 


Contrariamente à minha quase habitual discordância da análise política de João Miguel Tavares, considero o texto que ontem fez publicar, uma excelente perspectiva sobre a catástrofe que no domingo passado se abateu sobre a Direita que temos. Aguardarei com natural expectativa um eventual trabalho que venha a publicar, agora centrado o compasso nos outros dois partidos da Esquerda que sustentam a geringonça e desenhando um círculo correspondente ao que nos mostrou agora.

Mas confesso que vejo o mesmo quadro que JMT descreve para a Direita, apenas com duas ligeiras diferenças: a primeira, de lhe acentuar os tons escuros, na minha óptica mais carregados ainda; a segunda, de colocar ao lado da sua feliz tirada de "dead man walking" e de braço dado com ele, uma "dead woman walking", caminhando ambos, fatalmente, para o mesmo destino...

E com Outubro já tão perto!...

Até breve

segunda-feira, 27 de maio de 2019

A GERINGONÇA!!!...


Uma lição para a Europa

Salvo melhor opinião e com o devido respeito, nunca tive dúvidas de que a palavra mágica terá sido inventada  vai para quatro anos! Cunhada. Registada a patente e lavrados os autos respectivos. A palavra?! GERINGONÇA, simplesmente!... E longe de mim a ideia de me estar a referir a Vasco Pulido Valente, que parece ter sido o primeiro a falar em geringonça no meio de um qualquer tema que já nem recordo. Muito menos a Paulo Portas, como sempre 'rato e fino como um alho' e sempre oportunista que, sobre o governo que em 2015 então se preparava, pretendeu e até terá conseguido baralhar os espíritos e impôr a sua paternidade, na casa da nossa democracia, ainda bem insipiente por sinal e que, infelizmente, assim parece continuar 'ad eternum'. Isso foram só conversetas, tretas, lérias, palheta. Refiro-me ao pai, não a qualquer pretenso ou putativo progenitor, mas ao verdadeiro autor da coisa geringonça: ANTÓNIO COSTA.

Naquela 'terrível' noite das últimas legislativas, quase todos terão concordado com o facto notório: o PS fora derrotado! O que vinha, aliás, na esteira da campanha menos conseguida do partido. Dessa derrota, lida correctamente por quem ainda entende alguma coisa da tradição nacional - comunistas e bloquistas seriam, liminar e exclusivamente, para protestar, nunca para governar -, Costa fez, afinal, uma vitória tão legítima, quanto surpreendente e retumbante. Mas, aquilo que acabou baptizado como geringonça, mais justamente deveria ter sido chamado de "ovo de Colombo". Estava na cara que, partindo a casca da repugnância do BE e do PCP, era possível criar um germe, um princípio, uma célula reprodutora - um ovo, enfim - para depois o colocar, inteligentemente, de pé. Mas, lá está, ninguém se lembrara antes... O líder socialista propôs à outra esquerda um acordo e teve 'arte e engenho' para a convencer. E, pelos vistos, tanto o que aconteceu ao longo dos últimos quatro anos, quanto os resultados destas europeias de agora, o metem pelos olhos dentro a toda a gente, os portugueses gostaram.

Desta vez, europeias 2019, António Costa - um vencedor nunca altera a táctica que o leva à vitória! -, voltou a lançar uma campanha algo básica ou mesmo trapalhona. Tanto na escolha como cabeça-de-lista de Pedro Marques, que não seria o melhor retrato nem possuiria o melhor discurso para se impôr em tão pouco tempo, quanto na adopção de uma 'novíssima' estratégia europeísta que o povo, tão claro como a água, ainda não se mostra capaz de entender e que Pedro Nuno Santos se viu na necessidade de refrear e, cautelosamente, denunciar os perigos e enunciar alternativas.

Uma parte significativa do PS parece ter tremido no arranque destas europeias. Mas Costa, provavelmente o político português que, na actualidade, revelará maior sensibilidade e conhecimento do país profundo que somos, embora arregaçando as mangas numa campanha difícil, não alterou um milímetro ao rumo escolhido: no respeito absoluto pelo slogan que os responsáveis pelo turismo português há muito consagraram, continuou a "ir para fora, mas cá dentro"! E, com a sorte dos audazes, antecipando e beneficiando dos tiros nos pés da direita mais retrógrada da Europa, de que a estúpida tolice dos rectroativos dos professores terá constituído o melhor exemplo, acabou por assistir, neste domingo eleitoral e europeu, de cadeirinha e a caminho de completar esta singular legislatura,  à maior hecatombe de sempre de uma direita que nunca lhe perdoou nem jamais perdoará a desfaçatez do seu permanente sorriso de comiseração, ao cavar de um surpreendente fosso de mais de 11% para o seu mais directo adversário e ao consolidar inequívoco das forças que ousaram conceder-lhe o apoio na geringonça, essa coisa por tantos julgada como fantasiosa.

Sem permitir sequer, dentro dos nossos modestos limites geográficos, a mais pequena veleidade ao ranço de uma extrema-direita que parece recrudescer por essa Europa fora, o povo português disse ontem, inequivocamente, que se prepara para dentro de poucos meses dar um aval ainda mais forte e peremptório aos soberbos e convincentes resultados da geringonça de António Costa.

Caramba, é tempo de, sem vergonha, nos orgulharmos da nossa capacidade de construir, dentro  da paleta que o nosso povo começa cada vez mais e melhor, a saber escolher para o representar, um modelo de governação que a Europa, necessária e obrigatoriamente, terá de começar a olhar com mais atenção e respeito.

Olhemos para o continente inteiro e demo-nos conta da formidável herança democrática que Portugal, um país humilde e pobre, está a oferecer...

E paremos de nos lamentar! Fomos capazes da épica saga dos Descobrimentos e, hoje por hoje, oferecemos à Europa, de mão beijada...

A GERINGONÇA!!!...

Até breve

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Convicções, inteligência e coragem!...


Enquanto António Costa parece apostar na necessidade de construir alianças, numa alegada frente europeísta contra os populismos, Pedro Nuno Santos defende uma separação clara entre liberais e socialistas no Parlamento Europeu.

No comício em Aveiro da passada terça-feira, o dirigente e ministro socialista disse ser necessário traçar "uma linha divisória muito clara entre liberais e socialistas", assumindo mesmo uma dialética de "tensão permanente" face aos liberais.

Num discurso interpretado como sendo uma autocrítica do PS em governos passados [António Guterres e José Sócrates] por se ter aproximado do centro direita, Pedro Nuno Santos, deixou recados sobre qual a estratégia que defende para o seu partido no plano europeu.

Julgo que PNS terá uma muito clara noção sobre a inviabilidade de qualquer aliança à esquerda no que respeita à UE, face às profundas ou mesmo opostas posições entre o seu partido e o PCP e BE. Do mesmo modo saberá demasiado bem que o plano defendido por AC e outros líderes do PSE, será combater a galopante ameaça nacionalista, ao mesmo tempo que recusa liminarmente a hegemonia de que o PPE tem vindo a dar mostras nas mais importantes instituições europeias, consubstanciada na sua real influência nas opções políticas da União nas últimas legislaturas. Porém, julgo que a posição assumida em Aveiro terá apontado mais no sentido de prevenir 'deslizamentos' futuros, em que o PS tantas vezes tem sido fértil, do que propriamente contestar o movimento europeísta que António Costa se tem vindo a esforçar por ajudar a implementar. E isso, do meu ponto de vista e por isso aplaudo, revela...

Convicções, inteligência e coragem!...

Até breve

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Tão elementar que só a direita não vê!...


Mesmo com a 'benção' da Universidade Católica Portuguesa, a sondagem que essa entidade efectuou para a RTP, entre os dias 16 e 19 de Maio em 1882 inquiridos, numa margem de erro máximo de 2,3% e um nível de confiança de 95%, revela uma verdadeira hecatombe na direita, com o PS a ser a lista que recolhe maior percentagem de intenções de voto com 33% e o PSD a poder vir a ter a pior votação de sempre em quaisquer eleições nacionais, com 23%.

BE, CDU e CDS-PP apresentam percentagens de voto semelhantes, com 9% para os bloquistas e 8% para as outras duas forças com ligeira vantagem da coligação PCP+Verdes, indicando ainda a sondagem a possibilidade de PAN e Aliança, ambos situados próximos dos 3%, poderem eleger um eurodeputado. 

"Elementar caro Watson"!...

Mais de 50% dos eleitores portugueses, mesmo em eleições europeias, depositam a sua confiança nas forças que foram capazes de os retirar do atoleiro em que a direita mais retrógrada da Europa, em quem só 30% ainda continua a confiar(?), os havia colocado.

Tão elementar que só a direita não vê!...

Até breve

domingo, 12 de maio de 2019

A dar palha aos 'chicos-espertos'!...




Pois aqui do meu canto, eu acho que a 'burrice' está toda em nós, os que continuamos a permitir que as 'traves mestras" da nossa democracia - Presidente da República, Assembleia da República, governos, sistema judicial e polícias -,  com os nossos votos ou sem eles, directa ou indirectamente, continuem...

A dar palha aos 'chicos-espertos'!...

Até breve

sábado, 11 de maio de 2019

O Povo em Outubro fará o que falta e deve ser feito!...

Ainda bem! (4): Contra o elitismo profissional

«1. A propósito da rejeição parlamentar da contagem integral do tempo de serviço congelado, o líder (vitalício?) da federação sindical dos professores veio queixar-se de que "a Geringonça não funcionou para os professores".
Mas não tem nenhuma razão, pois os professores compartilham as mesmas mudanças favoráveis que a demais função pública, nomeadamente o regresso às 35 horas de trabalho semanal e a retoma da progressão nas carreiras, incluindo o bónus da recuperação de uma parte do tempo congelado durante a crise (que não estava prevista em nenhum programa eleitoral, nem no programa do Governo, nem nos entendimentos que constituíram a Geringonça). 
O que os professores não obtiveram foi o que também não foi dado a ninguém, nem nunca lhes foi, nem podia ser, prometido nem reconhecido pelo Governo, ou seja, a recuperação integral do tempo de serviço congelado para efeitos de progressão na carreira (os tais 9 anos, 4 meses e 2 dias). Todavia, tal como toda a função pública, também os professores estão hoje bem melhor do que há quatro anos.

2. O que essa declaração do dirigente sindical revela, para além de ingratidão política, é que os professores, numa típica arrogância elitista, se consideram com direito a tratamento privilegiado dentro da função pública, para além do pouco exigente regime de progressão de que já gozam.
Ainda bem que o Governo não cedeu nesse ponto, quer por uma questão de justiça distributiva, quer por razões de sustentabilidade orçamental. Sem igualdade teríamos privilégio para uns e iniquidade para outros; sem sustentabilidade financeira, o que se ganhasse hoje poderia voltar a perder-se numa próxima crise.
Quem não quer perceber isto não merece nenhuma complacência política.

Adenda
Um leitor pergunta quando é que a lei estabelece limites aos mandatos sindicais. Em princípio, a autonomia associativa privada impede uma tal imposição sem cobertura constitucional, mas nada impede que os estatutos sindicais estabeleçam regras sobre isso. Aparentemente, porém, as benesses do poder sindical dificultam tal limitação...»


O bom senso imperou!...

O Povo em Outubro fará o que falta e deve ser feito!...

Até breve

sexta-feira, 10 de maio de 2019

O 'saloio fintador'!...


Chamar 'as vacas e os bois pelos nomes' seria dar o mote para que uma boa parte da 'saloiada' que administra a Justiça neste 'pais do terceiro-mundo', fizesse com quem o afirmasse, aquilo que 'não tem tomates para fazer' com... 

O 'saloio fintador'!...

Até breve