quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Melhor do que procurais é em quem tropeçais (I)


DANIEL OLIVEIRA - A ENTREVISTA E O MOMENTO (TOMO I)

Daniel Oliveira. Jornalista e comentador. 'Transpira' política por todos os poros - ou não fosse, justamente, a discussão da política o seu trabalho. É um dos opinadores com maior notoriedade no espaço mediático. Um papel que assume com inegável entusiasmo, mas nem por isso olvidando o sentido de responsabilidade. A conversa não podia esquivar-se da actual situação política, irremediavelmente marcada pela tragédia dos incêndios e a consequente crise no Governo.

A entrevista decorre sensivelmente uma hora depois do anúncio da demissão da ministra. A novidade do dia que, afinal, já não a era para Daniel Oliveira. Bastou-lhe um telefonema para saber, antes do discurso de terça-feira do Presidente da República, que a ministra iria ser demitida (ou demitir-se). Só faltava decidir se seria anunciado na sexta-feira ou no sábado. Foi antes. O timing do anúncio, defende, foi impulsionado pelo discurso presidencial.

De uma coisa está certo: "Marcelo deu vários chutos numa bola que já estava dentro da baliza e gritou golo" para, com isso, "ganhar força política". Em matéria de incêndios, como noutras, garante não se comover com o "jogo político". Interessa-lhe antes discutir aquilo que ninguém parece querer discutir - "o modelo de desenvolvimento que queremos ter". Se se centrar o problema apenas em demissões, antevê, as tragédias vão continuar ao longo de décadas.

Conhecido o substituo de Constança Urbano de Sousa - Eduardo Cabrita - comenta que esta foi uma "péssima escolha", porque "a remodelação tinha de servir para reforçar o núcleo político do Governo, numa fase que vai ser difícil" e "não é, seguramente" o ministro Adjunto que o fará, entende.

Quanto à moção de censura apresentada pelo CDS? Foi algo "macabro" que nasce da "excitação" dos resultados eleitorais e de quem não percebe que há assuntos "que têm de ser tratados com pinças". Com este 'tiro no pé', quem saiu a ganhar, analisa Daniel Oliveira, foi Costa e a Geringonça. Com o PSD "fechado para remodelações", não há forma de esta solução governativa falhar, conjectura, apesar de apontar falhas ao trio de partidos.

Melissa Lopes (ML) -É inevitável começar por falar dos incêndios. Constança Urbano de Sousa acaba de anunciar a demissão e na carta escreve que já havia decidido demitir-se, "insistentemente", depois da tragédia de Pedrógão.

Daniel Oliveira (DO) - É evidente que a ministra já tinha decidido que se ia demitir. Mas o que é que Costa ia fazer? Demitir a ministra e todo o Ministério da Administração Interna a meio dos incêndios? Ia escolher um ministro novo a meio dos incêndios? Não podia. As pessoas que sabem como estas coisas funcionam já sabiam que a ministra não ia ser demitida antes do fim dos fogos, que deveria ter sido no princípio de Outubro. O que acho extraordinário é a quantidade de pessoas que souberam que a ministra iria ser demitida antes do discurso de Marcelo. Se eu soube, houve muito mais gente a saber. Bastou-me um telefonema. Não é propriamente uma coisa muito secreta que o Governo ia demitir a ministra.

ML - Estava por horas.

DO - Não é estar a pensar em demitir. Eu telefonei e perguntei ‘a ministra vai ser demitida?’. Responderam-me: ‘sim, só não sabemos se vai ser anunciado no sábado ou na sexta’.

ML - Era completamente inevitável que fosse demitida?

DO - Claro. É ouvir a intervenção de Carlos César à tarde para perceber. Carlos César praticamente disse que ia ser demitida. Marcelo percebeu que Constança Urbano de Sousa ia ser demitida e exigiu a demissão da ministra. É Marcelo no seu melhor. Tenho uma boa relação com Marcelo, até foi ele que apresentou o meu livro, mas as pessoas estão tão enganadas em relação ao Marcelo dos afectos...

ML - Então, que Marcelo temos?

DO - Marcelo é um calculista. Hiper calculista. Enquanto Costa diz coisas que as pessoas não gostam, Marcelo não. É vinte vezes mais espontâneo Costa do que o Marcelo. O primeiro-ministro diz coisas que irritam as pessoas. Marcelo nunca diz nada que não tenha preparado.

ML - A ministra Constança Urbano de Sousa é a responsável política por aquilo que aconteceu, mas terá de haver outros responsáveis. Depois de Pedrógão, para muitos era certo que aquela tragédia não ia e não podia acontecer outra vez, muito menos quatro meses depois.

DO - Eu não tinha nada como certo.

ML - Mas é inacreditável que tenha acontecido outra vez.

DO - É surpreendente. Não é inacreditável. O que me preocupa é as pessoas acharem que não pode voltar a acontecer. É porque não perceberam porque é que aconteceu. Nós sabemos exactamente o que falhou. Há um relatório, que foi encomendado e que ninguém leu porque as pessoas estão interessadas no jogo político em torno do que aconteceu. O relatório da Comissão Independente explica exactamente o que é que aconteceu e o que é que falhou. O lado mais evidente de falha directa tem a ver com a Protecção Civil. Só tem a ver com a ministra no sentido em que foi ela quem nomeou metade da Protecção Civil. O relatório não fala propriamente da qualidade das pessoas que foram nomeadas, mas sim do facto de terem sido nomeadas, mais ou menos ao mesmo tempo, numa altura muito próxima dos incêndios e que isso reduziu a capacidade de reacção e coordenação. Isto é a parte circunstancial e que tem de ser mudada rapidamente. Tudo o resto é estrutural.

ML - O desordenamento do território?

DO - O brutal desordenamento do território. Somos basicamente o país que tem umas cidades rodeadas de território quase selvagem que quase não tem pessoas, em que as coisas crescem e ninguém trata delas. Temos a estrutura da floresta com a menor parcela média de dimensão de propriedade – minifúndio –, somos dos países da Europa com maior propriedade privada de floresta. E é impossível, na actual estrutura de propriedade da nossa floresta, fazer qualquer tipo de gestão de limpeza. As pessoas não têm dinheiro nem forma de manter limpo o que têm.

Sabemos, também, que o facto de haver muitos incêndios faz com que as pessoas, por racionalidade económica, prefiram ter eucalipto e pinheiro que ao fim de dez anos dá lucro do que arriscar ter uma propriedade que vai arder e que não vai ter qualquer viabilidade económica. Não vale a pena criar inimigos fáceis. A questão da floresta é a questão do país. Tem a ver com o nosso desenvolvimento, com o despovoamento de grande parte do país. O que está em causa é enorme.

Junta-se a isto uma coisa que ninguém quer falar porque é muito desconfortável falar, que também vem no relatório, e que aborrece as pessoas. Os nossos bombeiros não têm formação. Isto é horrível de se dizer porque andam pessoas corajosas e generosas a combater o fogo. Mas temos uma estrutura de combate ao fogo baseada no voluntariado, com poucos bombeiros profissionais e voluntários com pouca formação. E a estrutura de direcção dos bombeiros totalmente partidarizada.

ML - Porque é que isso acontece?

DO - Quem sabe como as dinâmicas locais funcionam sabe que não há cacique local que, sendo presidente da câmara, não tenha passado ou vá passar para a direcção dos bombeiros. Os incêndios são o espelho do que somos enquanto país e de todos os erros que cometemos nos últimos 40 anos. Junta-se ainda mais uma coisa que, uma pessoa diz e parece que fica toda a gente chocada - as alterações climáticas. Estas não aparecem só nos documentários. Se uma pessoa fala das alterações climáticas para explicar o que aconteceu, dizem que se está a arranjar desculpas. Não. As alterações climáticas existem e nós somos o país da Europa, talvez, menos preparado. Vamos ser os primeiros a senti-las de uma forma muito forte. É muito mais difícil hoje planear a prevenção e combate aos fogos porque pode acontecer, por exemplo, a meio de Outubro termos o clima que temos. Isto é o que é estrutural.

Que a ministra cometeu imensos erros, cometeu. Que tinha de ser demitida, tinha. Que a Protecção Civil respondeu pessimamente, respondeu. Tudo isso é verdade. Agora, dizerem que não estavam à espera que acontecesse outra vez... Mas como? Mudou alguma coisa? Vai mudar alguma coisa nos próximos dois anos? Nos próximos três anos? Não vai.

ML - Mas era bom que qualquer coisa mudasse e é isso que se espera.

DO - Como? Não é possível. O que a mim me assusta é as pessoas pensarem que [a mudança] podia acontecer em meses. E isto é desculpabilizar o Governo? Não.

ML - Este Governo e os anteriores.

DO - Sim, aliás, António Costa foi ministro da Administração Interna e, já agora, Assunção Cristas que foi ministra da Agricultura têm responsabilidades. Mas está tudo convencido de que com um pedido de desculpas de Marcelo Rebelo de Sousa e uma demissão de uma ministra fica tudo resolvido. [Pensar assim] quer dizer que, não só vai acontecer nos próximos anos, como vai voltar a acontecer nos próximos dez e nos próximos 20. Se se acha que o problema é esse, então não vamos fazer nada. Aliás, vê-se na comoção das pessoas em frases como: "nada pode ser como antes". Alguém andou a discutir a reforma da floresta? Alguém perdeu tempo, mesmo depois de Pedrógão, a discutir a sério a reforma da floresta apresentada?

Comovo-me muito com o sofrimento das pessoas que perderam familiares e amigos e perderam tudo o que tinham, comovo-me muito pouco com a comoção nacional. Acho que estamos viciados nestes momentos mediáticos que daqui a 15 anos ninguém se lembra. Por isso é que o debate sobre a ministra me mobiliza pouco. Sobretudo, o facto de o Presidente da República ter aproveitado o momento para ganhar alguma força política, demitindo uma ministra que já se sabia, pelo menos quem quis saber, que estava demitida, também não me interessa especialmente. Não acho motivante este tipo de jogo político. Interessava-me discutir o modelo de desenvolvimento que queremos ter e não parece que as pessoas queiram discutir isso.

ML - O que é que se ganha em não anunciar a demissão de uma ministra logo que a decisão é tomada?

DO - Entre o momento em que se decide demitir uma ministra e o momento em que é anunciada a demissão da ministra costuma passar algum tempo, não costumam passar minutos. Não tenho nenhum problema em dizer que soube que a ministra ia ser demitida antes de Marcelo Rebelo de Sousa falar e que iria ser anunciado na sexta ou no sábado. O mais normal seria ter sido anunciado no Conselho de Ministros extraordinário.

ML - O discurso de Marcelo teve então uma influência no timing do anúncio?

DO - Provavelmente o que o discurso de Marcelo fez foi precipitar o anúncio da demissão. Ora, era tudo relativamente previsível. Que a ministra não tinha condições para ficar já toda a gente sabia. Que a ministra não podia ter sido demitida antes é de uma evidência que me espanta ouvir pessoas com responsabilidades políticas a pedir que a ministra se demitisse no Verão. Por mais incompetente que seja um ministro, isso passa pela cabeça de alguém reestruturar o MAI no meio dos fogos? As pessoas já sabiam que desde Pedrógão a ministra estava demitida. Estava demitida, seguramente, depois do segundo relatório da Comissão Independente, onde lhe são atribuídas responsabilidades políticas. Acredito que foi como ela diz, que pediu a demissão várias vezes. Basta olhar para as condições emocionais e políticas que tinha para imaginar que se quis demitir. Mas é evidente que não podia sair antes do fim do Verão. 

Mesmo em relação ao facto de o Presidente querer que o Parlamento reafirme a confiança ou não no Governo, também o fez depois de o CDS apresentar uma moção de censura, sabendo que o Parlamento o ia fazer. As pessoas gostam. E eu também gosto, da arte de Marcelo. Marcelo deu vários chutos numa bola que já estava dentro da baliza. E gritou golo. Acho que tem talento para isso e o talento na política não é um defeito, é uma virtude.

ML - Faz sentido a moção de censura apresentada por Assunção Cristas?

DO - Acho macabro. Um partido para ganhar a liderança da Direita quando sabe que o PSD está num vazio de poder, e vem de uma dinâmica de vitória das autárquicas, para marcar a sua liderança da Direita, apresentar uma moção de censura um dia depois de os fogos estarem extintos, quando os funerais ainda nem sequer aconteceram.

ML - Ainda assim, considera que a moção pode fragilizar a 'Geringonça' de alguma forma?

DO - Não, pelo contrário.

ML - Vai sair reforçada?

DO - Sendo a moção apresentada, ainda por cima, pela antiga ministra da Agricultura que não fez rigorosamente nada que se conheça para melhorar a situação da reforma da floresta, sendo apresentada no momento em que foi e sendo tão evidente o objectivo político da moção de censura, vai ajudar a actual solução. A moção de censura é a melhor maneira de unir os partidos da 'Geringonça'. É um favor que o CDS fez a António Costa porque permitiu que, num momento de fragilidade, o primeiro-ministro e a 'Geringonça' se mostrassem reforçados. Depois de um momento bastante difícil para Costa, o CDS deu-lhe uma vitória garantida.

ML - Foi um autêntico tiro no pé?

DO - É a excitação de quem acabou de ter bons resultados nas eleições e que não percebe que há assuntos em que é preciso ter pinças e que as jogadas políticas devem ser muitíssimo bem pensadas. Esta eu acho que foi muito mal pensada. O CDS facilitou a vida à Geringonça fazendo com que se reafirmasse num momento de dificuldades. E isso Jerónimo de Sousa e Catarina Martins vão ficar a dever durante muito tempo a Assunção Cristas.
(Melissa Lopes, in Vozes ao Minuto) - (Continua)


Farto de aventuras, juras, promessas e "dâmasos salcedes tóxicos e dependentes" da caixinha mágica, em verdade vos digo... 

Melhor do que procurais é em quem tropeçais

Até breve

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

"No creen en las brujas, pero que las hay, las hay"!...



António Costa, o seu governo e, pelos vistos, a maioria parlamentar que o suporta... 

"No creen en las brujas, pero que las hay, las hay"!...

Até breve

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Com a gente de Oeiras que bem o merece!...




Afinal o diabo sempre acabou por aparecer e vai conviver pacificamente, durante quatro anos...

Com a gente de Oeiras que bem o merece!...

Até breve

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Tudo tem uma primeira vez!...


Apontamentos sobre estas tristes Autárquicas


Estas eleições são as primeiras da história da democracia em que não há contestação aberta ao Governo e os socialistas estão lá em cima nas sondagens.

«No domingo temos a oportunidade de sair de casa e depositar a nossa confiança em alguém que acreditamos para gerir a nossa comunidade local. Por estas alturas sabemos que já não se debate nada, os media seguem o folclore, as comitivas, candidatos e as figuras de proa dos partidos, o barulho apagou as poucas, pouquíssimas, propostas que estavam em cima da mesa. Tenho de confessar que estas foram provavelmente das mais fracas e vazias campanhas das quais tenho memória. Poucas novidades, sumo ideológico e de ideias escasso, muitas figurinhas e poucos homens e mulheres de envergadura. Aqui deixo a minha análise com diversas anotações.

O estado dos partidos – Sabemos que as Locais servem historicamente para mostrar cartões amarelos à governação e já fizeram cair Governos e por isso, habitualmente, quem está no Executivo sofre com elas. Só que desta feita isso não irá acontecer. Estas eleições são as primeiras da história da democracia em que não há contestação aberta ao Governo e os socialistas estão lá em cima nas sondagens. Significa assim que a Marca PS não perdeu valor e os resultados dependerão apenas da força das personalidades em cena em cada concelho. O PSD está num mau momento e sem o fulgor de outras épocas e não pode cavalgar um hipotético mar revolto que ajuda tradicionalmente os partidos da oposição em autárquicas, o CDS meteu a líder no terreno e pode ganhar com isso, PCP e Bloco agarram no melhor da coligação que apoiam mas os comunistas mantêm uma força que ainda lhes possibilita a manutenção de importantes câmaras.

Lisboa já tem dono – No dia 16 de Março, portanto muito tempo antes dos analistas do em cima da hora quando é fácil, escrevi aqui no ECO um texto duro que se intitulava «Medina, Cristas e a amiga de Vale e Azevedo». Ali explicava que Medina tinha a eleição ganha, só com a dúvida da maioria absoluta, Assunção Cristas poderia ter o melhor resultado de sempre em Lisboa do CDS e Tereza Leal Coelho podia ser uma catástrofe. Hoje, o cenário que tracei parece real. Medina só não terá a maioria absoluta por causa do trânsito horrível e pelos debates lhe terem corrido pessimamente. Cristas, que teve uma fase complicada, renasceu e pode bater o resultado obtido por Paulo Portas. Se obtiver dois dígitos é uma vitória retumbante e se ultrapassar o PSD, então, cai o Carmo e a Trindade. Leal Coelho pode ter lutado mas nunca conseguiu apresentar claramente as suas ideias e a campanha foi um desastre total com uma série de erros que irão figurar nos manuais de marketing político (na próxima semana indicarei vários).

Não acredito no suspense no Porto – Até há pouco tempo tudo o que não fosse uma vitória clara de Rui Moreira seria uma enorme surpresa. Eu não acredito em sondagens nesta altura do campeonato, mas certo é que elas baralharam a maneira de ver o que se passará no Porto. Manuel Pizarro foi um vereador competente, está a batalhar bem e com apoios importantes, mas não acredito que esteja assim tão próximo nas intenções de voto do actual edil. Mas no domingo veremos. O PSD mais uma vez escolheu um péssimo candidato e Lisboa e Porto podem ser a face de uma penosa derrota por muito que ganhem outras autarquias.

Os enigmas de Loures, Oeiras e Sintra – Em Loures assistimos a uma experiência de laboratório. Pela primeira vez um indivíduo agarrou numa série de ideias populistas e de extrema-direita com as roupagens de um partido do arco da governação que lhe deu guarida e disparou uma série de “boutades” que assustam o eleitorado moderado. Aqui veremos se os habitantes de Loures se escandalizaram ou se há uma maioria silenciosa que aguardava por um candidato deste calibre. Se houver alguma surpresa que não desejo, teremos um fenómeno tipo Donald Trump que só depois de se alimentar a criatura veremos o monstro em que se tornou: em Oeiras, acredito como disse a tanta gente que Isaltino vai ganhar. Por um motivo claro: os oeirenses continuam a acreditar que ele foi um excelente presidente de câmara e assuntos de corrupção não afectaram a sua imagem de autarca fazedor. Assuntos de corrupção e cadeia vão para debaixo do tapete, uma lição para o futuro; em Sintra, temos o exemplo evidente daqueles que se revoltam com os partidos onde cresceram bem no centro do seu aparelho, se tornam independentes como se de repente se tornassem inovadores e depois voltam a calçar as botas do partido de sempre como se nada se passasse. Se Marco Almeida se apresentasse como independente valeria muito mais do que envergando as vestes do partido que traiu no passado. Isso facilitou o caminho de Basílio Horta. E a lição é simples: Roma não paga a traidores e quem veste uma camisola não a pode andar a vestir e despir consoante os seus caprichos pessoais. Que todos votem no domingo, é um nosso direito e dever cívico.»
(Rui Calafate, Opinião, in ECO)


Um olhar lúcido de um atento e conhecedor jornalista, experimentado perito em comunicação, para uma vertente importante da nossa democracia que, infelizmente, vai estiolando, cada vez mais transformada numa descoroçoante e cada dia menos representativa "união de misericórdias"!...

Surpreenderá muitos esta opinião de Rui Calafate. Apenas porque não o conhecerão e dificilmente lhes terão chegado antes as suas opiniões...

Tudo tem uma primeira vez!...

Até breve

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Nós por cá, todos bem!...




UBER PERDE LICENÇA PARA OPERAR EM LONDRES

«O regulador dos transportes de Londres considera que a abordagem e a conduta da Uber demonstram falta de responsabilidade corporativa em relação a diversos aspectos que têm implicações na segurança pública.»
(TSF, em 22 DE SETEMBRO DE 2017 - 11:38)

Nós por cá, todos bem!...

Até breve

domingo, 3 de setembro de 2017

E se juntas, inexoravelmente, uma tragédia!...


Em "hibernação" há quase dois meses pela razão simples de, não pretendendo ser mais uma voz a clamar no deserto contra uma Justiça incapaz de condenar incendiários responsáveis quase únicos da maior onda de incêndios de que me lembro desde que sou gente e entender que, para além disso, a "geringonça" vai bem e recomenda-se, sem precisar do meu empurrão, enquanto a oposição desfere nos próprios pés os tiros suficientes para perder a pouca credibilidade que lhe resta, volto apenas e fugazmente, para afirmar o meu respeito profundo pela greve, provavelmente uma das maiores conquistas de Abril para todos aqueles que dependem do seu trabalho para que a sua dignidade de nada dependa.

Porém, haverá greves e greves e a greve de menos de metade dos trabalhadores da AutoEuropa, que mesmo assim paralisaram a fábrica, nunca será por mim entendida como uma greve. É que não sou capaz de esquecer outras que vivi bem por dentro em finais da década de 70, de índole muito semelhante e resultados devastadores, nem deixar de lhes associar imagens aberrantes de efusivos abraços de “vitória”, trocados entre sindicalistas da minha trincheira, como se tivessem derrubado as muralhas e tomado uma qualquer cidade, numa hora que eu julgava de tristeza, porque sempre entendi a greve como último e dramático recurso de quem trabalha. Foram factos desse jaez que me afastaram irremediavelmente do projecto político a que dediquei, com convicção, abnegação e profunda solidariedade ideológica, os melhores anos da minha vida. Por isso não precisarei que me assobiem para beber a água pouco transparente que depois de vazado o copo, deixará ante os meus olhos e bem lá no fundo, as razões que sustentam esta greve.

Sei bem o que é trabalhar por turnos, incluindo fins de semana, fins de mês e fins de ano a fio, durante quase três décadas e calculo a dureza de uma linha de montagem. Mas uma coisa é negociar melhores condições, outra é pôr em causa o futuro de três mil trabalhadores. Que lhes dirão depois os sindicalistas que hoje lhes anunciam amanhãs radiosos, se a fábrica entrar em declínio e acordarem com ela a laborar num qualquer recanto ignorado lá para leste? Que a vitória é certa?! Não me façam rir que já vi esse filme! Demasiadas vezes!... 

Certas serão, tenho a certeza, pelas cicatrizes que para sempre me acompanharão até ao fim da minha caminhada, a cegueira ideológica e a estupidez...

E se juntas, inexoravelmente, uma tragédia!...

Até breve