domingo, 3 de setembro de 2017

E se juntas, inexoravelmente, uma tragédia!...


Em "hibernação" há quase dois meses pela razão simples de, não pretendendo ser mais uma voz a clamar no deserto contra uma Justiça incapaz de condenar incendiários responsáveis quase únicos da maior onda de incêndios de que me lembro desde que sou gente e entender que, para além disso, a "geringonça" vai bem e recomenda-se, sem precisar do meu empurrão, enquanto a oposição desfere nos próprios pés os tiros suficientes para perder a pouca credibilidade que lhe resta, volto apenas e fugazmente, para afirmar o meu respeito profundo pela greve, provavelmente uma das maiores conquistas de Abril para todos aqueles que dependem do seu trabalho para que a sua dignidade de nada dependa.

Porém, haverá greves e greves e a greve de menos de metade dos trabalhadores da AutoEuropa, que mesmo assim paralisaram a fábrica, nunca será por mim entendida como uma greve. É que não sou capaz de esquecer outras que vivi bem por dentro em finais da década de 70, de índole muito semelhante e resultados devastadores, nem deixar de lhes associar imagens aberrantes de efusivos abraços de “vitória”, trocados entre sindicalistas da minha trincheira, como se tivessem derrubado as muralhas e tomado uma qualquer cidade, numa hora que eu julgava de tristeza, porque sempre entendi a greve como último e dramático recurso de quem trabalha. Foram factos desse jaez que me afastaram irremediavelmente do projecto político a que dediquei, com convicção, abnegação e profunda solidariedade ideológica, os melhores anos da minha vida. Por isso não precisarei que me assobiem para beber a água pouco transparente que depois de vazado o copo, deixará ante os meus olhos e bem lá no fundo, as razões que sustentam esta greve.

Sei bem o que é trabalhar por turnos, incluindo fins de semana, fins de mês e fins de ano a fio, durante quase três décadas e calculo a dureza de uma linha de montagem. Mas uma coisa é negociar melhores condições, outra é pôr em causa o futuro de três mil trabalhadores. Que lhes dirão depois os sindicalistas que hoje lhes anunciam amanhãs radiosos, se a fábrica entrar em declínio e acordarem com ela a laborar num qualquer recanto ignorado lá para leste? Que a vitória é certa?! Não me façam rir que já vi esse filme! Demasiadas vezes!... 

Certas serão, tenho a certeza, pelas cicatrizes que para sempre me acompanharão até ao fim da minha caminhada, a cegueira ideológica e a estupidez...

E se juntas, inexoravelmente, uma tragédia!...

Até breve

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Se calhar, Vasco Lourenço é muito capaz de ter razão?!...



Assalto a Tancos: 
"Suspeito muito que isto é encenado"

Vasco Lourenço considera que assalto pode ter sido inventado "para provocar toda esta turbulência que tem sido uma coisa extraordinariamente grande de ataque ao Governo". Para o presidente da Associação 25 de Abril "há muita coisa a investigar".


«Porque nós sabemos que esta solução que está a vigorar em Portugal é uma solução que representa uma esperança para muitos países na Europa e está sob fogo cerrado e é preciso abatê-la de qualquer maneira. E depois assistimos à hipocrisia dos responsáveis por nos terem levado onde nos levaram, a gritarem 'aqui d’el rei é preciso demitir ministros'.»
(Vasco Lourenco, à SIC Notícias, in NotíciasaoMinuto)


Se calhar, Vasco Lourenço é muito capaz de ter razão?!...


Até breve

terça-feira, 11 de julho de 2017

A liberdade é de todos, mesmo dos que a prendem!...




A liberdade vai andando por aí ziguezaguendo à toa e cada um aproveita o bocado que lhe interessa... 

A liberdade é de todos, mesmo dos que a prendem!...

Até breve

Homenagem a Vieira da Silva




Em dia de aniversário do meu amigo e companheiro de jornada Vieira da Silva, a minha homenagem.

Fascismo e guerra nunca mais!...

Até breve

terça-feira, 27 de junho de 2017

Todas as ditaduras partem de gérmenes desta natureza!...


Luto em memória de Passos Coelho


«Lamento informar, mas mal vi Pedro Passos Coelho anunciar que vários cidadãos de Pedrógão Grande se suicidaram ou tentaram suicidar-se devido ao abandono a que os votou o governo, não deixei de sentir solidariedade com o sofrimento e indignação do líder do PSD e decidi ir para o velório e funeral da mais recente vítima de Pedrógão.

O suicídio de Passos Coelho foi um verdadeiro acto de coragem, depois de ter proposto uma comissão técnica, para logo de seguida ceder à populaça do seu grupo parlamentar, exigindo um debate parlamentar para soltar nos abutres no hemiciclo, só restava o suicídio a Passos Coelho. Era certo que o homem ia suicidar-se, só não se sabia quando e onde.

Passos Coelho suicidou-se em directo, começou com uma tentativa falhada de suicídio no quartel dos bombeiros de Pedrógão, mas como falhou optou por completar o serviço em Odivelas. Chamou os jornalistas, para um directo à entrada para o local onde o desgraçado do Seara ia apresentar a sua candidatura a Odivelas, com a intenção de fazer um pedido de desculpas, pelo pecado do suicídio matinal na forma tentada. Mas fez a pior intervenção de toda a sua carreira política, chegando ao ridículo de dizer que se ocorrer um atentado bombista a culpa é sempre do governo.

O homem já desejou a vinda do diabo há precisamente um ano, agora achou que o diabo estava em Pedrógão para o ajudar, mas como ninguém se matou para o ajudar a sobreviver, chega ao ridículo de sugerir que o diabo ainda pode regressar sob a forma de bombista suicida.»
(in O Jumento, Umas no cravo outras na ferradura)

Às vezes ponho-me a pensar como foi possível termos sido governados durante uma legislatura completa e mais um "tempito de nojo" à conta da "múmia do Poço de Boliqueime", por uma criatura desta estirpe?!...

E como ainda hoje é possível que o maior partido da oposição nos dias que correm, continue a ser liderado por tão anedótico exemplar?!...

Todas as ditaduras partem de gérmenes desta natureza!... 

Até breve




domingo, 11 de junho de 2017

Já merecíamos!...

Fonte: Expresso


Começam a ser poucas as dúvidas de uma cada vez mais considerável faixa de portugueses, sobre a qualidade que, finalmente, um governo do seu país exibe em cada dia, mês e ano que se vão sucedendo e sobre a envergadura política exibida por um líder que, também finalmente, o Partido Socialista terá conseguido parir em tempos recentes!...

Se bem que ainda longe da maioria absoluta - que se situará em valores próximos dos 45% - o PS continua a distanciar-se de todos os demais partidos, mesmo daqueles que lhe suportam a "geringonça" e, paulatinamente, quase em pés de lã, para além de começar a fazer os nervos em franja à direita mais retrógrada da Europa, obviamente que começa a deixar preocupados os seus parceiros parlamentares, inibidos de qualquer veleidade e diminuídos na sua capacidade reivindicativa que nem a retórica verbal disfarçará, conseguindo mesmo António Costa e Mário Centeno, atingir um quadro impensável no arranque, que começa agora a apontar para uma cada vez mais leve e ao mesmo tempo menos notória necessidade de excessivas concessões orçamentais.

Uma impensável e invejável posição de força de António Costa e dos seus ministérios que, face às perspectivas económicas favoráveis e a uma real e factual ausência de oposição política, seja à esquerda, seja à direita, poderá catapultá-lo para a maioria absoluta em que certamente nunca terá pensado.

Mas antes disso, cada vez mais se afigura como muito provável que António Costa poderá muito bem desenhar lá para Outubro, aquele sorriso bonacheirão, sereno, tranquilo e optimista a que todos já nos habituámos!...


Já merecíamos!...

Até breve