domingo, 15 de novembro de 2015

Em breve estaremos narcotizados e indiferentes, sem conhecer a droga!...


Já não suporto mais o televisor ligado! Ultrapassa a minha capacidade de compreensão e resistência, este mórbido aproveitamento por parte dos segundos canais das três principais estações de televisão portuguesas. São 24 sobre 24 horas de desenfreada e estúpida exploração comercial de tão nefasto quanto aterrorizador acontecimento. Uma espécie de terrível vacina cujos únicos resultados acabarão inexoravelmente por determinar a nossa indiferença, depois de destruida a nossa sensibilidade...

Que o objectivo da SIC e da TVI se consubstancie apenas na nojenta mira dos proventos materiais desta soturna exploração da desgraça alheia, ainda se poderá entender. São estações privadas e apenas o lucro as move. Mas que dizer do doentio alinhamento da nossa estação pública que, subsistindo à custa dos nossos impostos, teima em reduzir o seu Canal 3 a um hediondo instrumento dos propósitos desta nova besta do nosso tempo, que urge começar a tratar pelo nome mais apropriado... DAESH, em vez de submissamente a designarmos com expressões que lhes afagam os egos e acicatam o seu inclassificável fanatismo, na louca persecução do estabelecimento de um novo império e de uma nova ordem mundial ?!... (LINK) 

E que tal, em vez de imagens macabras mil vezes repetidas sobre os acontecimentos de Paris, de reportagens de cultos religiosos à revelia da laicidade do Estado e homenagens(?) em honra das vítimas de tão repugnante massacre,  explicar ao povo português, pela palavra de quem sabe e pela imagem do vertiginoso progresso da sua implantação territorial, o que é, como surgiu e as razões de sustentação da... DAESH?!...

Por este andar, em breve estaremos narcotizados e indiferentes, sem conhecer a droga!...

Até breve

sábado, 14 de novembro de 2015

Ainda há quem recuse este "falangismo primário"!...


«... O PR não tem outra alternativa séria e sólida que não seja a de aceitar António Costa e o governo socialista. Estou na oposição a esse governo mas não sou pela obstrução ao funcionamento dos mecanismos parlamentares. Não se pode governar contra o Parlamento. Manter o governo em gestão seria uma situação completamente anormal e de um grau de confrontação aguda contra o Parlamento, creio que inconstitucional e geraria uma conflitualidade política e social como nunca vimos no nosso país...»
(Ribeiro e Castro, ex-presidente do CDS, em entrevista ao DN)

Há uma diferença do tamanho do mundo entre os políticos trauliteiros e ultraliberais que hoje lideram a Direita portuguesa e aqueles que, defendendo opções ideológicas próximas, recusam liminarmente aplaudir o discurso e os métodos deste "falangismo primário" adoptado pelos primeiros.

Até breve

Estupidamente, preparado para atear o rastilho!...


A hora de Cavaco

«Derrubado o governo no Parlamento, onde tinha de ser numa democracia parlamentar, o Presidente da República desencadeou novo processo de consultas. Os patrões, que não são eleitos, desfilaram na ladainha do costume. Disseram-lhe o que se esperava, que tenha cuidado porque os comunistas são um perigo para a democracia - como se estivesse no horizonte um governo com PCP e Bloco - e que o que era bom era um governo de gestão - à falta de um bloco central, esse mesmo dos interesses, porque era bom para os negócios. Os sindicatos, mais ou menos encarniçados, sugeriram que indigite António Costa, mal por mal é de esquerda e até cumpre os requisitos constitucionais. 

Em pista paralela, os líderes partidários vão-se desmultiplicando em frases típicas do PREC - fala-se de usurpação e fraude com a mesma facilidade com que o diabo esfrega um olho - e o país suspenso de sua excelência o Presidente da República. Entretanto, na pré-campanha para Belém, os candidatos a sucessores desdobram-se na unanimidade da crítica a Passos Coelho e seus devaneios constitucionais e nos apelos para que Cavaco Silva não deixe resvalar para quem lhe suceda a batata quente da decisão. Nem Marcelo quer arcar com as consequências de um governo de gestão. 

E o que faz Cavaco? Mantém o silêncio em que, dizem os cavacólogos, é mestre a gerir. Mais ainda, segue viagem para a Madeira em plena crise política que urge resolver. A margem de que dispõe é estreita, muito estreita. Mesmo a contragosto pouco lhe resta que não seja indigitar António Costa. Afinal de contas é alternativa constitucional e política legítima, por mais que as "posições conjuntas" lhe causem dúvidas e até comichões. Nem os mercados lhe dão argumentos de instabilidade. E até há as agências de rating que afirmam que as palavras de Mário Centeno são cruciais para que a avaliação de risco do país se mantenha em perspectiva de estabilidade. 

Governo de gestão não é solução aceitável para ninguém. Seriam oito meses de sobressalto e agitação social, com o país em risco e sitiado pelo protesto e a direita a queimar em lume brando. Portugal precisa de um governo que governe e não que gira o abismo. Cavaco sabe disso melhor do que ninguém. E é por isso que, mesmo a contragosto, não deixará de assumir as suas responsabilidades. Até porque, honra lhe seja feita, se há coisa que Cavaco não ignora é que tem aqui a derradeira oportunidade para concluir o seu mandato com dignidade.»
(Nuno Saraiva, editorial DN, hoje)


"Portugal precisa de um governo que governe e não que gira o abismo"! Em contraciclo com uma importante fatia, pretensamente maioritária, dos meios de comunicação social, completamente subjugada às posições "falangistas", Nuno Saraiva pensa e afirma sem pruridos e com a coragem que lhe impõem os mais básicos princípios éticos e deontológicos da profissão que escolheu, aquilo que vai na cabeça de quem, seja de Direita ou Esquerda, ainda não vendeu a alma ao diabo.

É que o "abismo" de que fala, está aí, à vista de todos nós: um país fracturado, a assar em lume brando, um barril de pólvora que a qualquer momento pode explodir e fazer-nos recuar 40 anos!...

Mas o mais grave de tudo o que se passa à nossa volta, será o facto de ser precisamente aquele que deveria ser o garante do equilíbrio, da harmonia e da paz social de quem o elegeu, que parece preparar-se, estupidamente, para atear o rastilho!...

Até breve

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Viveria de cabeça baixa e látego nas costas até ao fim dos meus dias!...


Se por manifesta e malfadada má sorte ou irrevogável decisão do destino, alguma vez desabasse sobre mim a desdita de ser simpatizante ou militante desta abominável Direita de "jotinhas", escorpiões e cascaveis, e fosse confrontado com tal declaração por parte do seu líder...

Viveria de cabeça baixa e látego nas costas até ao fim dos meus dias!...

Até breve

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Sem alternativa e sob a protecção da "lei de Miranda"!...


Sem alternativa


«1. Depois de rejeitado o seu Governo pela AR, a direita decidiu pressionar o Presidente da República para abrir uma guerra com o parlamento sobre a nomeação do inevitável governo do PS, nomeadamente submetendo-o a condições políticas e programáticas discricionárias. Uma comentadora da direita mais afoita veio defender mesmo que o PR deveria exigir a entrada do BE e do PCP no Governo, de modo a torná-lo um "governo de coligação" (forçada)!

2. Independentemente da questão de saber se o PR tem poderes constitucionais para ditar condições sobre a composição ou sobre o programa dos governos antes de os nomear (e não se vê onde eles estejam previstos na Lei Fundamental), a verdade é que isso só faria sentido se o PR pudesse ameaçar com a dissolução parlamentar ou tivesse outra alternativa de Governo.
Ora, como vimos no post antecedente, nas circunstâncias existentes Belém não tem outra opção senão nomear o Governo resultante do acordo que levou à rejeição parlamentar do novo executivo de Passos Coelho (numa lógica de "moção de censura construtiva"), Não tendo alternativa, o PR também não tem poder para condicionar nem a composição nem o programa do novo Governo.

Adenda

Aliás, se o PR imprudentemente decidisse interferir na composição ou no programa do Governo PS, e se António Costa aceitasse essa ingerência, sacrificando a autonomia do executivo perante o Presidente, então Cavaco Silva tornar-se-ia automaticamente corresponsável pelo eventual inêxito do Governo, pondo em causa a estrita irresponsabilidade constitucional do segundo perante o primeiro.»
(Vital Moreira, in Causa Nossa)


Amarrada de pés e mãos, está-lhe interdito meter "prego ou estopa"! A "esfíngica figura por enquanto e ainda plantada em Belém", está condenada a um sucedâneo da "lei de Miranda":  agora terá o direito de ficar quieta e calada durante o tempo que entender, no pressuposto de que tudo o que disser ou fizer, como disser ou fizer e quando disser ou fizer, poderá ser amanhâ usado contra si no julgamento do supremo e eterno tribunal da História do pedaço onde nasceu!...

Até breve

Nobres, democráticos e civilizados!...


«Os acordos entre o PS e os partidos da extrema-esquerda radical são de uma fragilidade política gritante. Não garantem os compromissos estruturais do Estado português. Não asseguram minimamente a estabilidade política. Não oferecem confiança interna ou externa. 

Estes acordos não passam de um instrumento espúrio para derrubar uma solução governativa legítima e transportar um ambicioso sem escrúpulos para o lugar de primeiro-ministro.»
(Carlos Abreu Amorim, na sua página do Facebook)

De cabeça completamente perdida, a Direita revela a sua faceta mais "nobre, democrática e civilizada"!...

Seria interessante apreciar a opinião de observadores políticos da Bélgica, Dinamarca, Luxemburgo, Letónia e Noruega, países onde o poder político foi entregue pelo povo a outros partidos que não os vencedores das respectivas eleições, sobre a reacção inclassificável de toda esta gente afastada democraticamente do poder pelo voto soberano do povo português!...

Até breve

Cavaco não mete prego nem estopa!...


Sem alternativa


«1. Ao contrário do que pretendem alguns observadores de direita, o Presidente da República não tem alternativa à indigitação de António Costa como chefe do próximo Governo.

Um governo demitido pela AR só pode manter-se em funções pelo tempo necessário para o PR nomear outro (salvo se puder optar pela dissolução da AR, o que não é o caso). Demitido o Governo pela AR, o PR tem obrigação constitucional de nomear outro, por duas razões: (i)porque seria um verdadeiro desafio à autoridade do parlamento (contempt of parliament) manter em funções deliberadamente um governo rejeitado pela AR e que, portanto, perdeu toda a legitimidade para continuar em funções ; (ii) porque o "regular funcionamento das instituições" - que compete ao Presidente assegurar - supõe naturalmente um governo em plenitude de funções.

2. Nas circunstâncias, o Presidente só poderia evitar a nomeação de António Costa, se tivesse outra alternativa de governo no actual quadro parlamentar. Ora, essa alternativa não existe, tanto mais que ao demitir o novo Governo de Passos Coelho, os partidos da oposição fizeram-no justamente na base de um governo alternativo que tem o seu apoio maioritário.»
(Vital Moreira, in Causa Nossa)

Chama Vital Moreira de "contempt of parliament" ao crime que a "esfíngica figura plantada em Belém"  há muito  traz naqueles esgotados neurónios. Leigo na matéria, fui informar-me e, em português, significa "desprezo pelo parlamento"!...

Razão tinha o Jerónimo de Sousa: o homem nesta coisa do Governo "não mete prego nem estopa"!...

Até breve