sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Obrigado, excelências.

Joaquim Pessoa - Poema de agradecimento à corja
 
 
Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade de vivermos felizes e em paz.
Obrigado pelo exemplo que se esforçam em nos dar de como é possível viver
...sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos
e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer, o que nunca
deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente quem temos de rejeitar.
 
Joaquim Pessoa
 
 
 
 
Até breve

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Missão cumprida !...


 
       
     
       MISSÃO CUMPRIDA

Em declarações ao jornal Público, António Nogueira Leite declarou que se demitiu da Administração da Caixa porque a sua missão nesta instituição foi cumprida. Creio que, desta vez, foi verdadeiro …
Veio da administração do grupo Mello e voltará agora para a administração do grupo Mello .
Declarou ao jornal que o fazia porque a missão com que veio para a Caixa estava cumprida :
Veio realizar a OPA do grupo Mello sobre a Brisa e “desalavancar” a dívida do grupo Mello à banca. Em Agosto passado os Mellos compraram de manhã uns milhões de ações da Brisa a 2,75 € cada , principalmente a pequenos acionistas, e entregaram-nas à tarde a três bancos – CGD, BCP e BES – a 6 € cada ação, preço que os bancos consideraram ser o “justo valor” do título.
No conjunto do lote das ações, os Mellos ganharam 375 milhões de euros, segundo noticiou então o “Diário Económico”. Acrescentava ainda esse jornal que a operação permitiu dar um novo fôlego ao grupo que estaria então à beira da rutura financeira.
António Nogueira Leite cumpriu a missão com que veio para a Caixa, nomeadamente para a Administração do Caixa BI, Banco de Investimento que, num espaço de dois meses, publicou um “research” a aconselhar o público a comprar as ações da Brisa até ao preço de 3,75 €, montou uma OPA sobre as ações da Brisa aonde os Mellos pagaram 2,75 € por ação e avaliou as mesmas ações a 6 € para serem entregues aos bancos credores do grupo Mello.
Bye bye, António Nogueira Leite. Continuação de boa carreira no grupo Mello. E não cumpra a ameaça de emigrar para não pagar impostos, pois em muitos Países, que têm leis rigorosas sobre o mercado de capitais, a atuação descrita no parágrafo anterior daria lugar a prisão ou pelo menos ao pagamento de uma avultadíssima multa ...


…Com Patriotas destes o País continua a ter um RICO futuro!
 
Até breve

Desfeito o enigma !!!...

 
"Yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay"!...

Até breve

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Vencimentos de Cargos Políticos

 
Para quem pretenda entrar actualmente, no gigantesco mundo da remuneração dos vários cargos políticos em Portugal, constatará que ela está distribuída por vários Estatutos, com inúmeras referências a uns e outros - a intencionalidade de tão óbvia chega a ser chocante! - que dificultam uma leitura clara dos valores e regalias envolvidos.
Mas ao maquiavelismo de uma classe política desacreditada e sem vergonha, responde a sociedade com as armas da inteligência, do trabalho, do esforço e da dedicação, desmontando toda a estratégia de quem jamais compreenderá o significado do bem comum, da dignidade e da justiça social.
Chegou-me hoje às mãos uma verdadeira obra prima, que poderá servir a todos aqueles que com dignidade, continuam a recusar encolher os ombros. Pela sua extensão e complexidade, deixo-vos aqui somente o caminho. Percorrê-lo será decisão de cada um:
 
 
 
Até breve
 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Sertório tinha razão !!!...

 
No Museu do Vaticano, a famosa dupla escada em espiral é uma das mais fotografadas do mundo, e certamente uma das mais belas. Projetadas por Giuseppe Momo em 1932, as escadas são duas hélices distintas, uma que conduz para cima e outra que conduz para baixo, que se torcem juntas numa dupla hélice. Quem sobe não se encontra com quem desce! Mal sabia o Vaticano, que esta formação viria a representar a própria vida, com a descoberta da dupla fita de DNA helicoidal.
Em Portugal com o "ilustre" patrocínio de uma "esfíngica figura" que tivemos a desdita de "plantar" em Belém, o Povo português vai assistindo, por enquanto de forma branda apenas entrecortada por ligeiros arrufos de indignação, à construção por parte da última geração de um neo-liberalismo bacoco e incompetente, que também tivemos a desdita de colocar e do mesmo modo democratico e estúpido, em S. Bento, de uma "espiral" em tudo semelhante à que Momo criou há quase um século.
É também uma dupla espiral que, desafiando as leis do equilíbrio social, pretenderá que num sentido subam até aos céus uns milhares de privilegiados que já antes roçavam as nuvens e no sentido inverso, desçam até ao fundo dos infernos da indigência, o que faltará dos 10 milhões de desgraçados que também tiveram a desdita de nascer para constituir esta singular gente, que Sertório há mais de dois mil anos definiu como "incapaz de se governar ou se deixar governar".
Com uma "manifestaçãozita", este Povo simplório e brando, impediu que umas simples e ridículas centenas de milhões de euros, transitassem directamente dos bolso de quem trabalha, para os bolsos daqueles que vivem "sugando o fresco sangue da manada". E foi o fim da famigerada TSU!
Hoje, primeiro dia útil de trabalho de 2013, em que o mesmo Povo semeou a rodos tanta esperança e ilusões,  todos pudemos assistir ao anúncio de uma transacção ainda mais descarada e insultuosa, que ultrapassa largamente os 1.000 milhões de euros, directamente do erário público, para os bolsos de meia dúzia de banqueiros do BANIF. E porque a linguagem já foi comunicacionalmente mais atenta e cuidada, este estupor de Povo nem um ai disse! 
Decididamente, Sertório tinha razão !!!...
 
Até breve.
 

Até ao fim do mandato ?!...


A esfinge nunca se engana e... muito raramente tem dúvidas!... Desta vez parece ter algumas dúvidas, mas, não vá o diabo tecê-las, há que sacudir a água do capote: uma no cravo, outra na ferradura e lá se vai aguentando! E o Povo também aguenta! Ai aguenta, aguenta...
Mas quanto custa esta encomenda ao Povo, para andar por ali a fazer de conta?!... Faz de conta que está contra a linha neo-liberal deste (des)governo, grita cobras e lagartos sobre quase tudo o que vai levando à prática, mas no fim... promulga-lhes o Orçamento para 2013, porque sim!... Se alguém tinha dúvidas, neste primeiro dia de 2013, elas ficaram desfeitas: este engravatadinho, pensa mesmo que nós, os portugueses, somos todos estúpidos.
Malditas cadeiras de Belém! São piores que umas famosas pilhas! E já agora, são como este desgraçado Povo, ai aguentam, aguentam! Até ao fim do mandato?!...
 

Até breve

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pedofilia exige um polícia, nunca um bispo !!!...

 
Nada me envergonha, antes muito me orgulha, este meu jeito de estar de acordo com a inteligência, a modernidade, a lucidez e o humanismo que imanam de mentes sãs de mulheres e homens da minha geração que tiveram o privilégio - terá sido desdita?! - de nascerem neste pequeno torrão onde também vim ao mundo.
Daniel Oliveira, sendo algo mais novo que eu, é no entanto, o exemplo modelar da gente que aprecio e aplaudo e que me orgulho de acompanhar, nesta finita viagem para a qual nenhum comprou bilhete, mas que todos tentamos cumprir com dignidade. Não me canso de exaltar a sua honestidade intelectual, o seu humanismo, a sua solidariedade, a sua visão crítica da podridão que nos envolve e nos governa. Deixo-vos aqui, mais um dos seus sublimes pensamentos que publicou, porque cada vez se torna mais importante e urgente compreendermos aquilo que nos rodeia a todos:

Se souber de um caso de "pedofilia" fale com um polícia, não com um bispo

Depois de serem públicas as acusações ao vice-reitor do Seminário do Fundão, Catalina Pestana falou à comunicação social da existência de pelo menos cinco padres em Lisboa responsáveis por abusos sexuais de menores. Disse que há muito tinha denunciado os casos à hierarquia da Igreja. Ela e o psiquiatra Álvaro de Carvalho teriam dirigido, em 2010, uma carta a José Policarpo e a Jorge Ortiga. Terão proposto aos dois "uma conversa discreta".
José Policarpo negou que alguma vez tenha sido informado e o bispo de Braga apenas confirmou que a ex-provedora da Casa Pia lhe falara genericamente da existência de "pedofilia" na Igreja, sem especificar qualquer caso. "Disse-lhe claramente que, se tivesse casos concretos, os denunciasse, os apresentasse aos bispos locais", garantiu Jorge Ortiga. E concluiu: "Tive oportunidade de lhes dizer que a Igreja cuidou e cuidará deste caso com a serenidade e com a responsabilidade que a gravidade dos problemas em si exige". Numa das denúncias apresentadas, apenas na semana passada, por Catalina Pestana ao DIAP, em que está envolvido um padre no activo, sabe-se que a família terá chegado a transmitir o caso ao Patriarcado sem nunca chegar a saber o que a Igreja fez.
Não tenho razões para pensar que haja mais casos de abusos sexuais de menores no interior da Igreja Católica do que em qualquer outra estrutura da sociedade. A Igreja, enquanto tal, não abusa de menores. E não me parece que promova tais abusos. A culpa de Igreja tem sido outra, um pouco por todo o Mundo: o encobrimento dos casos, permitindo que os responsáveis por um crime grave não sejam punidos.
Basta olhar para o comportamento de Catalina Pestana, de Álvaro de Carvalho e de muitas famílias para saber que este encobrimento tem uma origem cultural profunda. Todos, a não ser às famílias das alegadas vítimas no Seminário do Fundão, acharam que estariam a cumprir a sua obrigação apenas comunicando à hierarquia eclesiástica, e não à justiça da República, a existência destes crimes. Como se os católicos aceitassem a ideia de que a Igreja é um Estado dentro do Estado e cabe a ela, e não à justiça, tratar destes casos.
A cultura de encobrimento, que tantos dissabores tem dado à Igreja, é aceite pelos fiéis. Que, sem o saberem, se tornaram, durante décadas, cúmplices da impunidade. Essa cultura, e não qualquer generalização da "pedofilia" entre os padres, é verdadeiro problema da Igreja. E está longe de se resumir à pedofilia. É profunda e resulta de uma dificuldade mais geral, que acompanha parte da comunidade católica: a de aceitar que vivemos num Estado laico. E que os crimes comuns não estão nem têm de estar na alçada dos poderes eclesiásticos. A dificuldade em aceitar que um padre, antes de ser padre, é um cidadão, é o que levou milhares de crianças que estavam ao seu cuidado a terem de esperar muitos anos até verem a justiça feita. Foi o tempo que demorou para que os seus segredos fossem conhecidos fora da Igreja.
Lição: se souber de um crime de um padre, é com um polícia ou um magistrado, e não com um bispo, que deve falar. Os bispos tratam da fé. Da lei trata o Estado!...

Até breve