sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Atolados na merda !...



Só nos faltava esta ! Só nos faltava que sobre um dos poucos homens que em Portugal, se calhar, quase todos os portugueses colocariam as mãos no lume, recaíssem suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais!...
Mas será que esta porca, cega, corrupta, corporativa e infamemente privilegiada justiça portuguesa, não tem mais que fazer ?!... Então quando assiste impávida e sem vergonha ao esvaziamento cruel e injusto de sucessivos processos com barbas, movidos a criminosos que continuam por aí à solta, com  pulseiras electrónicas ou sob o guarda-chuva do futebol, com penas suspensas ou  férias tranquilas e impunes em paraísos imunes à extradição, com prescrições que a sua conivência fabrica ou pactuando com recursos  sobre recursos até ao recurso final, que há-de condenar os desgraçados inocentes da Casa Pia e o pobre que rouba o pão para calar as lágrimas de fome dos seus filhos, será que ainda consegue ter noites tranquilas e arranjar tempo para engendrar ou servilmente cumprir os planos maquiavélicos que visam calar as poucas vozes que neste país se levantam contra a incompetência, a ignomínia  e a iniquidade?!...
Que mais estará para nos acontecer?!... Por quanto tempo mais este povo brando e escravo vai continuar a engolir a cicuta que todos os dias lhe é ministrada?!... Por onde anda a dignidade que esta atroz cegueira colectiva reduziu a pó?!... Qual a diferença entre este povo de hoje e aquele que permitiu que 50 anos o transformassem num imenso rebanho de carneiros?!... 
Só espero que as terríveis alfinetadas que foram aplicadas em ambas as nádegas de Medina Carreira, levem o homem a gritar tão alto a sua dor, que arrastem cá para fora, em catadupa, todas as imensas verdades e segredos que a sua formação de homem de bem, tem estrangulado até hoje. Porque não tenho eu, nem ninguém em Portugal terá dúvidas, que no dia em que ele resolver chamar os bois pelos nomes, muitas cabeças, talvez milhares, rolarão e se atolarão na merda que quase engole este país!!!...
 
Até breve

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Um terço é para morrer !!!...


O sonho de Pedro Passos Coelho
José Vítor Malheiros (no Público de hoje)


«"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. Se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.
 
Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.
 
Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.
 
O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.
 
O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.
 
Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»
 
Não sei quem contou a José Vítor Malheiros o sonho de Passos Coelho. Talvez o homem sonhe alto e a empregada tenha ouvido e bateu depois com a língua nos dentes, que também ela coitada, anda farta de fazer contas à vida e cada vez fica mais "encalacrada" no fim do mês e está a ver que mais de metade da família está naquele terço que ela bem ouviu.
O que sei é que encontrei este "lindo texto" na minha caixa de correio electrónico, enviada por mão amiga e insuspeita, que desde miúdo foi ouvindo lá por casa que "eles estão aí, os lobos"!... Pudera, esse meu amigo, também está com medo de ser incluído no tal terço e andará, como eu e milhões de outros, a fazer contas à sua vida e com as perninhas a tremer. Nós apenas cometemos o crime de trabalhar uma vida inteira e agora querem-nos despachar como se fossemos os velhos da antiga URSS ?!...
É urgente que combinemos entre todos, uma batida aos lobos. Eu sei que a venda e posse de armas em Portugal, será um pouco diferente daquela que vigora nos Estados Unidos. Mas seja com caçadeiras, gadanhas, fueiros, paus de marmeleiro, foices roçadouras, forquilhas ou até com as pás do forno, teremos que nos atirar a eles. E depressa !!!...
 
Até breve
 

 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Quando acordarmos, já poderá ser tarde !...

SICKO - Michael Moore (2007)




"Três anos depois de vencer a Palma de Ouro do Festival de Cannes por "Fahrenheit 9/11", o provocador e realizador de documentários, Michael Moore, regressa ao ataque com mais polémica em "Sicko" uma dissecação comovente e divertida da indústria do sistema de saúde americano, mostrando como beneficia uma minoria às custas da maioria. O tom da película alterna entre a comédia, a pungência e a indignação, à medida que compara o sistema de saúde dos Estados Unidos com os de outros países. Dada a celebridade e a base de fãs de Moore, assim como a elevada consciência do filme que resulta de uma batalha acesa que já teve início entre a Direita e a Esquerda, os resultados prometem ser extremamente saudáveis."


Para quem tiver 124 minutos de disponibilidade !... Bastará fazer um simples clic aqui e... apreciar!...
A camarilha que governa Portugal, já deu início ao processo de destruição do nosso SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE, cuja paternidade pertence ao socialista António Arnault que, pela Lei n.º 56/79, de 15 de Setembro,  instituíu uma rede de órgãos e serviços prestadores de cuidados globais de saúde a toda a população, através da qual o Estado passou a salvaguardar o direito à protecção da saúde. Foram, 33 anos em que Portugal foi capaz de passar de um perfeito estado de indigência na prestação de cuidados de saúde, para o topo do reduzido leque de países vanguardistas na área da Saúde a nível mundial. A história, para os mais interessados, está aqui, irefutável e indesmentível. E de um país modelo, vanguardista e copiado a nível mundial em tão importante área, os executores em Portugal, das políticas globais neo-liberais decretadas e capitaneadas pela Goldman Sachs, Inc. e "associadas", pretendem fazer o que Richard Nixon fez do avançado e igualitário sistema de saúde norte-americano, com os resultados que  Michael Moore nos mostra no filme.
Aos portugueses que, inocente e ingenuamente colocaram no poder, esta corja que hoje nos governa,  apenas restará rezar a Santo António, o responso que merecem todos os ladrões. Será difícil avaliar se esse "responso" ainda conseguirá alcançar a devolução do roubo que está a ser tentado a todo o Povo português. Poucos serão capazes de avaliar a dimensão dos estragos que poderá provocar o cumprimento integral do mandato que o Povo conferiu à quadrilha que nos (des)governa. A única forma de o evitarmos, será a manifestação nas ruas, do nosso repúdio perante o assalto de que todos estamos a ser vítimas. Ou, quando acordarmos, já poderá ser tarde!... 
 
Até breve.  

sábado, 1 de dezembro de 2012

Ai se o Povo não abre a pestana !...





... Se quem vota, votasse em pessoas que representassem os seus interesses, aconteceria uma verdadeira revolução democrática...

... e o poder não quer que isso aconteça, por isso mantém as pessoas oprimidas e pessimistas...

... pessoas endividadas, perdem a esperança e pessoas sem esperança, não votam...

... uma nação educada, saudável e confiante é mais difícil de governar...


Uma entrevista fabulosa, que nos faz pensar nas razões que estarão por detrás de toda a estratégia de Pedro Passos Coelho, para se perpetuar no poder. Terá lido, além dos manuais de The Goldman Sachs Group, Inc., os manuais de Salazar e Cerejeira.
Ai se o Povo não abre a pestana !!!...

Até breve

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A tributação sobre pensões e a Constituição

 

A grosseira inconstitucionalidade da tributação sobre pensões
Por António Bagão Félix


Aprovado o OE 2013, Portugal arrisca-se a entrar no "Guinness Fiscal", por força de um muito provavelmente caso único no planeta: a partir de um certo valor (1350 euros mensais), os pensionistas vão passar a pagar mais impostos do que outro qualquer tipo de rendimento, incluindo o de um salário de igual montante! Um atropelo fiscal inconstitucional, pois que o imposto pessoal é progressivo em função dos rendimentos do agregado familiar [art.º 104.º da CRP], mas não em função da situação activa ou inactiva do sujeito passivo e uma grosseira violação do princípio da igualdade [art.º 13.º da CRP].
Por exemplo, um reformado com uma pensão mensal de 2200 euros pagará mais 1045 € de impostos do que se estivesse a trabalhar com igual salário (já agora, em termos comparativos com 2009, este pensionista viu aumentado em 90% o montante dos seus impostos e taxas!).
Tudo isto por causa de uma falaciosamente denominada "contribuição extraordinária de solidariedade" (CES), que começa em 3,5% e pode chegar aos 50%. Um tributo que incidirá exclusivamente sobre as pensões. Da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações.
Públicas e privadas. Obrigatórias ou resultantes de poupanças voluntárias. De base contributiva ou não, tratando-se por igual as que resultam de muitos e longos descontos e as que, sem esse esforço contributivo, advêm de bónus ou remunerações indirectas e diferidas.
Nas pensões, o Governo resolveu que tudo o que mexe leva!
Indiscriminadamente. Mesmo - como é o caso - que não esteja previsto no memorando da troika.
Esta obsessão pelos reformados assume, nalguns casos, situações grotescas, para não lhes chamar outra coisa. Por exemplo, há poucos anos, a Segurança Social disponibilizou a oferta dos chamados "certificados de reforma" que dão origem a pensões complementares públicas para quem livremente tenha optado por descontar mais 2% ou 4% do seu salário. Com a CES, o Governo decide fazer incidir mais impostos sobre esta poupança do que sobre outra qualquer opção de aforro que as pessoas pudessem fazer com o mesmo valor... Ou seja, o Estado incentiva a procura de um regime público de capitalização (sublinho, público) e logo a seguir dá-lhe o golpe mortal. Noutros casos, trata-se - não há outra maneira de o dizer - de um desvio de fundos através de uma lei: refiro-me às prestações que resultam de planos de pensões contributivos em que já estão actuarialmente assegurados os activos que caucionam as responsabilidades com os beneficiários. Neste caso, o que se está a tributar é um valor que já pertence ao beneficiário, embora este o esteja a receber diferidamente ao longo da sua vida restante. Ora, o que vai acontecer é o desplante legal de parte desses valores serem transferidos (desviados), através da dita CES, para a Caixa Geral de Aposentações ou para o Instituto de Gestão Financeira da S. Social! O curioso é que, nos planos de pensões com a opção pelo pagamento da totalidade do montante capitalizado em vez de uma renda ou pensão ao longo do tempo, quem resolveu confiar recebendo prudente e mensalmente o valor a que tem direito verá a sua escolha ser penalizada. Um castigo acrescido para quem poupa.
Haverá casos em que a soma de todos os tributos numa cascata sem decoro (IRS com novos escalões, sobretaxa de 3,5%, taxa adicional de solidariedade de 2,5% em IRS, contribuição extraordinária de solidariedade (CES), suspensão de 9/10 de um dos subsídios que começa gradualmente por ser aplicado a partir de 600 euros de pensão mensal!) poderá representar uma taxa marginal de impostos de cerca de 80%! Um cataclismo tributário que só atinge reformados e não rendimentos de trabalho, de capital ou de outra qualquer natureza! Sendo confiscatório, é também claramente inconstitucional. Aliás, a própria CES não é uma contribuição. É pura e simplesmente um imposto.
Chamar-lhe contribuição é um ardil mentiroso. Uma contribuição ou taxa pressupõe uma contrapartida, tem uma natureza sinalagmática ou comutativa. Por isso, está ferida de uma outra inconstitucionalidade.
É que o já citado art.º 104.º da CRP diz que o imposto sobre o rendimento pessoal é único.
Estranhamente, os partidos e as forças sindicais secundarizaram ou omitiram esta situação de flagrante iniquidade. Por um lado, porque acham que lhes fica mal defender reformados ou pensionistas desde que as suas pensões (ainda que contributivas) ultrapassem o limiar da pobreza. Por outro, porque tem a ver com pessoas que já não fazem greves, não agitam os media, não têm lobbies organizados.
Pela mesma lógica, quando se fala em redução da despesa pública há uma concentração da discussão sempre em torno da sustentabilidade do Estado social (como se tudo o resto fosse auto-sustentável...).
Porque, afinal, os seus beneficiários são os velhos, os desempregados, os doentes, os pobres, os inválidos, os deficientes... os que não têm voz nem fazem grandiosas manifestações. E porque aqui não há embaraços ou condicionantes como há com parcerias público-privadas, escritórios de advogados, banqueiros, grupos de pressão, estivadores. É fácil ser corajoso com quem não se pode defender.
Foi lamentável que os deputados da maioria (na qual votei) tenham deixado passar normas fiscais deste jaez mais próprias de um socialismo fiscal absoluto e produto de obsessão fundamentalista, insensibilidade, descontextualização social e estrita visão de curto prazo do ministro das Finanças. E pena é que também o ministro da Segurança Social não tenha dito uma palavra sobre tudo isto, permitindo a consagração de uma medida que prejudica seriamente uma visão estratégica para o futuro da Segurança Social. Quem vai a partir de agora acreditar na bondade de regimes complementares ou da introdução do "plafonamento", depois de ter sido ferida de morte a confiança como sua base indissociável? Confiança que agora é violada grosseiramente por ditames fiscais aos ziguezagues sem consistência, alterando pelo abuso do poder as regras de jogo e defraudando irreversivelmente expectativas legitimamente construídas com esforço e renúncia ao consumo.
Depois da abortada tentativa de destruir o contributivismo com o aumento da TSU em 7%, eis nova tentativa de o fazer por via desta nova avalanche fiscal. E logo agora, num tempo em que o Governo diz querer "refundar" o Estado Social, certamente pensando (?) numa cultura previdencial de partilha de riscos que complemente a protecção pública. Não há rumo, tudo é medido pela única bitola de mais e mais impostos de um Estado insaciável.
Há ainda outro efeito colateral que não pode ser ignorado, antes deve ser prevenido: é que foram oferecidos poderosos argumentos para "legitimar" a evasão contributiva no financiamento das pensões.
"Afinal, contribuir para quê?", dirão os mais afoitos e atentos.
Este é mais um resultado de uma política de receitas "custe o que custar" e não de uma política fiscal com pés e cabeça. Um abuso de poder sobre pessoas quase tratadas como párias e que, na sua larga maioria, já não têm qualquer possibilidade de reverter a situação. Uma vergonha imprópria de um Estado de Direito. Um grosseiro conjunto de inconstitucionalidades que pode e deve ser endereçado ao Tribunal Constitucional.

PS1: Com a antecipação em "cima da hora" da passagem da idade de aposentação dos 64 para os 65 anos na função pública já em 2013 (até agora prevista para 2014), o Governo evidencia uma enorme falta de respeito pela vida das pessoas. Basta imaginar alguém que completa 64 anos em Janeiro do próximo ano e que preparou a sua vida pessoal e familiar para se aposentar nessa altura. No dia 31 de Dezembro, o Estado, através do OE, vai dizer-lhe que, afinal, não pode aposentar-se. Ou melhor, em alguns casos até poderá fazê-lo, só que com penalização, que é, de facto, o que cinicamente se pretende com a alteração da lei. Uma esperteza que fica mal a um Governo que se quer dar ao respeito.



PS2: Noutro ponto, não posso deixar de relevar uma anedota fiscal para 2013: uma larga maioria das famílias da classe média tornadas fiscalmente ricas pelos novos escalões do IRS não poderá deduzir um cêntimo que seja de despesas com saúde (que não escolhem, evidentemente). Mas, por estimada consideração fiscal, poderão deduzir uns míseros euros pelo IVA relativo à saúde... dos seus automóveis pago às oficinas e à saúde... capilar nos cabeleireiros. É comovente...


A vaga de protestos e reacções negativas às medidas implementadas pelo Governo em funções, suportado por uma maioria que mandou às urtigas os direitos e interesses de quem lhes ofereceu com o seu voto, o poder que usam discricionariamente e os privilégios que usam em benefício pessoal, já chegou a cidadãos que, ironicamente, sempre se posicionaram nessa mesma área política.
António Bagão Félix é uma das vozes que se vem levantando contra o caminho empreendido por quem detém o poder. A sua opinião é insuspeita, pela razão de proximidade ideológica que já referi e por conhecer suficientemente bem as matérias que aborda, dadas as responsabilidade governamentais específicas que assumiu num passado não muito remoto, tanto na área das Finanças como na Segurança Social.
António Bagão Félix, ainda acredita que este "... grosseiro conjunto de inconstitucionalidades que pode e deve ser endereçado ao Tribunal Constitucional...". Oxalá a sua crença venha a ser justificada. Eu não acredito. Não acredito que a "alzheimerosa e esfíngica figura" plantada em Belém, mexa um único dedo nesse sentido. Como não acredito que no meio de uma bancada parlamentar socialista de 74 deputados acomodados a uma estratégia partidária de duvidosos interesses e visão de futuro, haja uma réstea de luminosa decência, que viabilize a anunciada intenção de fiscalização constitucional preventiva, por parte do Partido Comunista, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista "Os Verdes". 
O desvario desta casta neo-liberal - importada ou adoptada - que nos (des)governa, recaiu precisamente sobre uma franja da sociedade portuguesa que, na hora de recolher os dividendos de uma vida inteira de trabalho e quando é nulo o seu poder reinvindicativo, se vê esbulhada de forma que viola todos os preceitos constitucionais, dos seus mais elementares direitos e garantias: os reformados e pensionistas. Mas este poder incompetente e discricionário, talvez tenha avaliado de forma errada um largo campo de protesto e reivindicação ainda ao alcance daqueles que já nada têm a perder:
a rua ainda poderá revelar-se uma arma decisiva e nela ainda poderão muito bem cair, o poder, os privilégios e a discricionaridade dos que se julgam acima de tudo e de todos!!!...
 
Até breve

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Porque todos somos poucos !...

Daniel Oliveira - coerência e cidadania
 
Daniel Oliveira
(hoje, na sua página do Facebook)

Não tenho qualquer esperança que este governo mude de rumo. Por isso quero a sua demissão imediata. E dela só podem nascer eleições. Ainda assim, juntei-me a estas vozes para exigir uma mudança de rumo ou a demissão do governo. Porque todos somos poucos para salvar o País desta gente. "Exmo. Senhor Primeiro-Ministro,

Os signatários estão muito preocupados com as consequências da política seguida pelo Governo.

À data das últimas eleições legislativas já estava em vigor o Memorando de Entendimento com a Troika, de que foram também outorgantes os líderes dos dois Partidos que hoje fazem parte da Coligação governamental.

O País foi então inventariado à exaustão. Nenhum candidato à liderança do Governo podia invocar desconhecimento sobre a situação existente. O Programa eleitoral sufragado pelos Portugueses e o Programa de Governo aprovado na Assembleia da República, foram em muito excedidos com a política que se passou a aplicar. As consequências das medidas não anunciadas têm um impacto gravíssimo sobre os Portugueses e há uma contradição, nunca antes vista, entre o que foi prometido e o que está a ser levado à prática.

Os eleitores foram intencionalmente defraudados. Nenhuma circunstância conjuntural pode justificar o embuste.

Daí também a rejeição que de norte a sul do País existe contra o Governo. O caso não é para menos. Este clamor é fundamentado no interesse nacional e na necessidade imperiosa de se recriar a esperança no futuro. O Governo não hesita porém em afirmar, contra ventos e marés, que prosseguirá esta política - custe o que custar - e até recusa qualquer ideia da renegociação do Memorando.

Ao embuste, sustentado no cumprimento cego da austeridade que empobrece o País e é levado a efeito a qualquer preço, soma-se o desmantelamento de funções essenciais do Estado e a alienação imponderada de empresas estratégicas, os cortes impiedosos nas pensões e nas reformas dos que descontaram para a Segurança Social uma vida inteira, confiando no Estado, as reduções dos salários que não poupam sequer os mais baixos, o incentivo à emigração, o crescimento do desemprego com níveis incomportáveis e a postura de seguidismo e capitulação à lógica neoliberal dos mercados.

Perdeu-se toda e qualquer esperança.

No meio deste vendaval, as previsões que o Governo tem apresentado quanto ao PIB, ao emprego, ao consumo, ao investimento, ao défice, à dívida pública e ao mais que se sabe, têm sido, porque erróneas, reiteradamente revistas em baixa.

O Governo, num fanatismo cego que recusa a evidência, está a fazer caminhar o País para o abismo.

A recente aprovação de um Orçamento de Estado iníquo, injusto, socialmente condenável, que não será cumprido e que aprofundará em 2013 a recessão, é de uma enorme gravidade, para além de conter disposições de duvidosa constitucionalidade. O agravamento incomportável da situação social, económica, financeira e política, será uma realidade se não se puser termo à política seguida.

Perante estes factos, os signatários interpretam – e justamente – o crescente clamor que contra o Governo se ergue, como uma exigência, para que o Senhor Primeiro-Ministro altere, urgentemente, as opções políticas que vem seguindo, sob pena de, pelo interesse nacional, ser seu dever retirar as consequências políticas que se impõem, apresentando a demissão ao Senhor Presidente da República, poupando assim o País e os Portugueses ainda a mais graves e imprevisíveis consequências.

É indispensável mudar de política para que os Portugueses retomem confiança e esperança no futuro.

PS: da presente os signatários darão conhecimento ao Senhor Presidente da República.

Lisboa, 29 de Novembro de 2012"

MÁRIO SOARES
ADELINO MALTEZ (Professor Universitário-Lisboa)
ALFREDO BRUTO DA COSTA (Sociólogo)
ALICE VIEIRA (Escritora)
ÁLVARO SIZA VIEIRA (Arquiteto)
AMÉRICO FIGUEIREDO (Médico)
ANA PAULA ARNAUT (Professora Universitária-Coimbra)
ANA SOUSA DIAS (Jornalista)
ANDRÉ LETRIA(Ilustrador)
ANTERO RIBEIRO DA SILVA (Militar Reformado)
ANTÓNIO ARNAUT (Advogado)
ANTÓNIO BAPTISTA BASTOS (Jornalista e Escritor)
ANTÓNIO DIAS DA CUNHA (Empresário)
ANTÓNIO PIRES VELOSO (Militar Reformado)
ANTÓNIO REIS (Professor Universitário-Lisboa)
ARTUR PITA ALVES (Militar reformado)
BOAVENTURA SOUSA SANTOS (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS ANDRÉ (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS SÁ FURTADO (Professor Universitário-Coimbra)
CARLOS TRINDADE (Sindicalista)
CESÁRIO BORGA (Jornalista)
CIPRIANO JUSTO (Médico)
CLARA FERREIRA ALVES (Jornalista e Escritora)
CONSTANTINO ALVES (Sacerdote)
CORÁLIA VICENTE (Professora Universitária-Porto)
DANIEL OLIVEIRA (Jornalista)
DUARTE CORDEIRO (Deputado)
EDUARDO FERRO RODRIGUES (Deputado)
EDUARDO LOURENÇO (Professor Universitário)
EUGÉNIO FERREIRA ALVES (Jornalista)
FERNANDO GOMES (Sindicalista)
FERNANDO ROSAS (Professor Universitário-Lisboa)
FERNANDO TORDO (Músico)
FRANCISCO SIMÕES (Escultor)
FREI BENTO DOMINGUES (Teólogo)
HELENA PINTO (Deputada)
HENRIQUE BOTELHO (Médico)
INES DE MEDEIROS (Deputada)
INÊS PEDROSA (Escritora)
JAIME RAMOS (Médico)
JOANA AMARAL DIAS (Professora Universitária-Lisboa)
JOÃO CUTILEIRO (Escultor)
JOÃO FERREIRA DO AMARAL (Professor Universitário-Lisboa)
JOÃO GALAMBA (Deputado)
JOÃO TORRES (Secretário-Geral da Juventude Socialista)
JOSÉ BARATA-MOURA (Professor Universitário-Lisboa)
JOSÉ DE FARIA COSTA (Professor Universitário-Coimbra)
JOSÉ JORGE LETRIA (Escritor)
JOSÉ LEMOS FERREIRA (Militar Reformado)
JOSÉ MEDEIROS FERREIRA (Professor Universitário-Lisboa)
JÚLIO POMAR (Pintor)
LÍDIA JORGE (Escritora)
LUÍS REIS TORGAL (Professor Universitário-Coimbra)
MANUEL CARVALHO DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
MANUEL DA SILVA (Sindicalista)
MANUEL MARIA CARRILHO (Professor Universitário)
MANUEL MONGE (Militar Reformado)
MANUELA MORGADO (Economista)
MARGARIDA LAGARTO (Pintora)
MARIA BELO (Psicanalista)
MARIA DE MEDEIROS (Realizadora de Cinema e Atriz)
MARIA TERESA HORTA (Escritora)
MÁRIO JORGE NEVES (Médico)
MIGUEL OLIVEIRA DA SILVA (Professor Universitário-Lisboa)
NUNO ARTUR SILVA (Autor e Produtor)
ÓSCAR ANTUNES (Sindicalista)
PAULO MORAIS (Professor Universitário-Porto)
PEDRO ABRUNHOSA (Músico)
PEDRO BACELAR VASCONCELOS (Professor Universitário-Braga)
PEDRO DELGADO ALVES (Deputado)
PEDRO NUNO SANTOS (Deputado)
PILAR DEL RIO SARAMAGO(Jornalista)
SÉRGIO MONTE (Sindicalista)
TERESA PIZARRO BELEZA (Professora Universitária-Lisboa)
TERESA VILLAVERDE (Realizadora de Cinema)
VALTER HUGO MÃE (Escritor)
VITOR HUGO SEQUEIRA (Sindicalista)
VITOR RAMALHO (Jurista)


Associo-me a Daniel Oliveira, na minha condição de cidadão, na perspectiva de que a situação actual do país exige a demissão imediata do Governo, sem no entanto recusar as exigências contidas na carta de subscritores que sempre me habituei a admirar, considerar e respeitar. Porque todos somos poucos para salvar o País desta gente.

Até breve



 


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

E o burro sou eu ?!...

Domingos Freitas do Amaral
 
 
Domingos Freitas do Amaral 
(jornalista e escritor, filho de Diogo Freitas do Amaral)
 
Já leram o memorando da troika?
Sim, é a minha pergunta de hoje: já leram o ... memorando de entendimento com a troika, assinado por Portugal em Maio de 2011? Eu li, e deixo o
link para quem o quiser consultar, na sua tradução oficial. São 35 páginas, escritas num português desagradável e tecnocrático, que têm servido a este governo para justificar tudo.
Ainda ontem, com descaramento, um dirigente do PSD dizia que "este não era o Orçamento do PSD, mas sim da troika"! Ai sim? Então eu proponho a todos um breve exercício de leitura. Tentem descobrir, lendo o memorando, onde é que lá estão escritas as 4 medidas fundamentais pelas quais este governo vai entrar para história de Portugal!
Sim, tentem descobrir onde é que lá está escrito que se deve lançar uma sobretaxa no subsídio de Natal de todos os portugueses (decidida e executada em 2011); cortar os subsídios aos funcionários públicos e pensionistas (decidido e executado em 2012); alterar as contribuições para a TSU (anunciada e depois retirada em Setembro); ou mexer nas taxas e nos escalões do IRS, incluindo nova sobretaxa (anunciados no Orçamento para 2013), e definidos pelo próprio ministro das Finanças como "um aumento enorme de impostos"?
Sim, tentem descobrir onde estão escritas estas 4 nefastas medidas e verão que não estão lá, em lado nenhum. Ao contrário do que este Governo proclama, estas 4 medidas, as mais graves que o Governo tomou, não estão escritas no "memorando com a troika"! Portugal nunca se comprometeu com os seus credores a tomar estas 4 medidas! Elas foram, única e exclusivamente, "iniciativas" do Governo de Passos Coelho, que julgava atingir com elas certos objectivos, esses sim acordados com a "troika".
Porém, com as suas disparatadas soluções em 2011 e 2012, o Governo em vez de melhorar a situação piorou-a. Além de subir o IVA para vários sectores chave, ao lançar a sobretaxa e ao retirar os subsídios, o Governo expandiu a crise económica, e acabou com menos receita fiscal e um deficit maior do que tinha. Isto foi pura incompetência, e não o corolário de um "memorando de entendimento" onde não havia uma única linha que impusesse estes caminhos específicos!
Mais grave ainda, o Governo de Passos e Gaspar, sem querer admitir a sua incúria, quer agora obrigar o país a engolir goela abaixo "um enorme aumento de impostos", dizendo que ele foi imposto pela "troika".
Importa-se de repetir, senhor Gaspar? É capaz de me dizer onde é que está escrito no "memorando de entendimento" que em 2013 o IRS tem de subir 30 por cento, em média, para pagar a sua inépcia e a sua incompetência?
Era bom que os portugueses aprendessem a não se deixar manipular desta forma primária. Foram as decisões erradas deste Governo que, por mais bem intencionadas que fossem, cavaram ainda mais o buraco onde já estávamos metidos. E estes senhores agora, para 2013, ainda querem cavar mais fundo o buraco, tentando de caminho deitar as culpas para a "troika"?
Só me lembro da célebre frase de Luís Filipe Scolari: "e o burro sou eu?"


Este excelente artigo foi escrito por Domingos Freitas do Amaral. Um amigo que estimo pela frontalidade e posicionamento político, publicou-o na sua página do FB. Eu voltei a partilhá-lo aqui neste meu canto. Porque além de trazer o link de uma coisa que muitos desejarão ler, traz uma opinião insuspeita e credível. É bom que seja lido e reflectido.

Até breve.