Pouco depois de Pedro Passos Coelho ter formado o governo que resultou do voto expresso pelos portugueses - consta que aumenta em cada dia o número de arrependidos! -, o cândido ministro da Finanças ter-lhe-á sussurrado ao ouvido que a questão do défice e de outras exigências da Troika se resolveria de uma penada: com o corte total dos subsídios de férias e de Natal ao funcionalismo público e reformados, o país teria todos os seus problemas resolvidos.
Entretanto, alguém terá alertado o nosso imberbe primeiro, para a inconstitucionalidade da medida. Mas outros papas da papista medida, tê-lo-ão aconselhado a pedir um parecer a um "colégio de sábios" constitucionalistas. Claro que Passos, traumatizado por uma "opinião privada" - a opinião pública conta pouco para ele! - que lhe exigia severas medidas restritivas nos gastos, em vez de formar o "colégio" com gente de longínquas paragens e outros saberes, governou-se com a "prata da casa" e terá poupado uma "pipa de massa", tendo começado aí a baixar - ou a subir, consoante o prisma do observador - o défice. Não o das contas públicas, mas o défice do "homem de estado" que desde os tempos da "jota" sonhou ser.
E do "colégio de sábios" que terá constituído, irónicamente ou talvez não, o porta-estandarte terá sido um ilustre desconhecido, mas conhecido pelas progressões meteóricas que havia conseguido em todas as empresas a que tinha metido "ombros" - o termo científico é esfenoedros -, terá vindo o parecer de que a constitucionalidade era um dado adquirido mas, mesmo que assim não fosse, nada de mal desse facto resultaria, porque uma maioria não se reflecte apenas no parlamento. Passos Coelho terá, de boca aberta, pedido explicações ao porta-relvas, perdão, estandarte do colégio, ao que este respondeu: elementar, meu caro! E Passos, lembrado das cenas do detective do cachimbo que tinha lido na adolescência, compreendeu perfeitamente.
O ministro cândido, perdão, Vitor, esfregou as mãos de contente e meteu-as à obra. E o resultado foi aquele que se viu. Aos pobres nada lhes aconteceu. Aos ricos também não. No meio ficou o mexilhão a pagar as favas. Mas a vida continuou, porque do mexilhão não reza a história e o elementarismo de portas e relvas, perdão, do porta-relvas, perdão, do porta-estandarte, ia susurrando ao nosso primeiro, que fosse o que fosse que viesse a acontecer no TC, a grande parte daquela gente era de confiança, iriam andar séculos a encanar a perna à rã e, mesmo que algum dia viessem a decidir em contrário, seria manifestamente tarde para que alguma coisa pudesse ser alterada.
Mas na calma do pântano, alguém se precipitou e atirou uma pedra: o Tribunal Constitucional, estranhamente e com inusitada antecedência, veio mesmo a considerar inconstitucionais os cortes dos subsídiozinhos das férias e da quadra natalícia. Passos apavorado, terá ligado ao Relvas, perdão, ao Portas, perdão, não ligou nada, porque depois de voltar a ler com redobrada atenção o acordão, de repente se lembrou que o plano B já contemplava a escapatória: o estado não seria obrigado a devolver o dinheiro que já sacara e que, graças ao bendito acórdão, ainda seria possível ir buscar mais alguma grana aos privados. Não aos pobres, nem aos ricos, aos outros, aos outros. E, como assegurava o tal plano B elaborado pelo Relvas - bolas não peço mais perdão! - a culpa desta nova "desgraça" recairá, naturalmente, sobre os energúmenos que pediram a fiscalização da constitucionalidade e sobre aquelas araras do TC, que sempre estiveram feitos com o governo.
Sobrou-me para o fim o drama de Boliqueime. A "esfíngica figura", ainda preocupada com seu "defice dos gastos", a(s) sua(s) reforma(s) e com o seu mural do Facebook, à pedrada no charco e ao atropelo dos direito dos parvos dos portugueses que o elegeram disse: nada!... Ficou quieto e mudo, como quando lhe falam da vivenda do Algarve e dos amigos e negociatas do BPN e da sua ligação à antiga polícia política. Um dia destes, acordará bem disposto e virá dizer aos "papalvos" que o elegeram e não pertencem aos grupos que afanosamente andam a comprar tomates maduros para lhe atirar, na primeira vez que a sua segurança pessoal se descuidar, que o que custa mais na sodomização, é a primeira vez. Depois, é como defecar...
Até breve





