segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ao lado da corja, nunca mais!...



Pela primeira vez desde a libertadora manhã de 25 de Abril, os homens que fizeram a "Revolução dos Cravos" e entregaram de mão beijada o poder democrático aos políticos deste país, não se revêem  na acção governativa de quem, colocado pelo povo à mesa do poder, se vem esquecendo em cada dia de governar para esse mesmo povo.
É um simbólico mas justo e firme cartão vermelho, que os "pais da liberdade" de todo um povo que celebrou com cravos e alegria a sua libertação, acaba de mostrar à corja tecnocrática que nos governa e que se envergonha de colocar o cravo na lapela.
Celebrar Abril com quem o nega todos os dias?!... Recordar a alvorada gloriosa da nossa liberdade, ao lado dos que de tudo nos vão privando, para que a mesa onde se banqueteiam seja cada vez mais farta?!.. T'arrenego belzebu! "Va de retro" Satanás!...
Salgueiro Maia, vem cá abaixo que eles já aqui estão outra vez! Traz o megafone com que gritaste o firme "it's over" a Marcelo Cetano e diz-lhes para que te deixem descansar em paz, senão...

Até breve

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Com pêlo do mesmo cão !...


Eu sei que estamos em crise e que ela é global, com especial incidência na Europa, onde o banqueiro-mor Mário Draghi, presidente do BCE afirma, como se poderá ver aqui, sem receio de consequências ou desmentidos, que "... O modelo social europeu está morto..."!...
E também sei e muitos milhões e milhões de cidadãos europeus saberão ainda melhor do que eu, que o reflexo mais palpável desta mesma crise, será o desemprego que grassa de forma avassaladora por essa Europa fora. O que eu nunca imaginei é que alguém pudesse pensar em curar a ferida do cão com pêlo do mesmo cão. Com esta notícia, caí das nuvens! Então não é que a Igreja Católica espanhola avançou com uma inovadora e revolucionária medida tendente a combater o desemprego no país vizinho?!...
Na realidade, qualquer jovem espanhol desempregado, se durante seis anos tiver garantias de comida  e alojamento, formação e estabilidade e no final um salário seguro, pouco se importará com a obrigatoriedade de vestir a batina e permanecer solteiro, coisa que a nova geração aprecia e cultiva.
Tenho poucas dúvidas de que a apregoada dificuldade da Igreja Católica lusa em angariar novos cruzados para a sua causa, não venha a copiar o apelo da sua congénere espanhola e não venhamos a assistir no curto prazo a uma campanha idêntica, mas falada em português do novo acordo ortográfico.

Até breve

quinta-feira, 29 de março de 2012

Será qe xegaremux a exta perfaisaum ?!...

Mão familiar amiga, fez-me chegar um texto de "outro mundo" !... Um mundo de moínhos de vento, rodando silenciosamente como almas penadas... Há-os por aí aos montes. Desafiantes. Até eu, "incréu" - na terra que me adoptou diz-se assim, por isso não gozem -, é raro o dia em que não resisto a uma "arremetidazinha", mesmo sem o Sancho à mão. Mas numa personagem - não lhe chamo quixotesca, porque não! - como a autora do blog A Biblioteca de Jacinto, de seu nome Maria Clara Assunção, nunca os meus olhos tinham tido a ventura de pousar.
O texto foi escrito em Agosto de 2009, mas é tão actual que arrepia e deixou a minha pele com se eu fora uma galinha acabada de depenar. E o vómito penitente que o Novo Acordo Ortográfico me provoca, para além de me levar a aplaudir freneticamente um dos maiores génios do humor em língua portuguesa, ontem infelizmente desaparecido, Millôr Fernandes, quando no mesmo ano ido de 2009, afirmou a um jornalista do Diário de Notícias, "... O Acordo ortográfico é uma merda!...", leva-me agora, perante esta obra prima, a "arrotar" de tanto rir, sem parar de rebolar pelo chão.
Com a devida vénia, fica a minha humilde homenagem à inteligência da autora:


Maria Clara Assunção

O acordo ortográfico e o futuro da língua portuguesa
Tem-se falado muito do Acordo Ortográfico e da necessidade de a língua evoluir no sentido da simplificação, eliminando letras desnecessárias e acompanhando a forma como as pessoas realmente falam. Sempre combati o dito Acordo mas, pensando bem, até começo a pensar que este peca por defeito. Acho que toda a escrita deveria ser repensada, tornando-a mais moderna, mais simples, mais fácil de aprender pelos estrangeiros.
Comecemos pelas consoantes mudas: deviam ser todas eliminadas.
É um fato que não se pronunciam. Se não se pronunciam, porque ão-de escrever-se? O que estão lá a fazer? Aliás, o qe estão lá a fazer? Defendo qe todas as letras qe não se pronunciam devem ser, pura e simplesmente, eliminadas da escrita já qe não existem na oralidade.
Outra complicação decorre da leitura igual qe se faz de letras diferentes e das leituras diferentes qe pode ter a mesma letra.
Porqe é qe “assunção” se escreve com “ç” e “ascensão” se escreve com “s”?
Seria muito mais fácil para as nossas crianças atribuír um som único a cada letra até porqe, quando aprendem o alfabeto, lhes atribuem um único nome. Além disso, os teclados portugueses deixariam de ser diferentes se eliminássemos liminarmente o “ç”.
Por isso, proponho qe o próximo acordo ortográfico elimine o “ç” e o substitua por um simples “s” o qual passaria a ter um único som.
Como consequência, também os “ss” deixariam de ser nesesários já qe um “s” se pasará a ler sempre e apenas “s”.
Esta é uma enorme simplificasão com amplas consequências económicas, designadamente ao nível da redusão do número de carateres a uzar. Claro, “uzar”, é isso mesmo, se o “s” pasar a ter sempre o som de “s” o som “z” pasará a ser sempre reprezentado por um “z”.
Simples não é? se o som é “s”, escreve-se sempre com s. Se o som é “z” escreve-se sempre com “z”.
Quanto ao “c” (que se diz “cê” mas qe, na maior parte dos casos, tem valor de “q”) pode, com vantagem, ser substituído pelo “q”. Sou patriota e defendo a língua portugueza, não qonqordo qom a introdusão de letras estrangeiras. Nada de “k”.
Não pensem qe me esqesi do som “ch”.
O som “ch” pasa a ser reprezentado pela letra “x”. Alguém dix “csix” para dezinar o “x”? Ninguém, pois não? O “x” xama-se “xis”. Poix é iso mexmo qe fiqa.
Qomo podem ver, já eliminámox o “c”, o “h”, o “p” e o “u” inúteix, a tripla leitura da letra “s” e também a tripla leitura da letra “x”.
Reparem qomo, gradualmente, a exqrita se torna menox eqívoca, maix fluida, maix qursiva, maix expontânea, maix simplex. Não, não leiam “simpléqs”, leiam simplex. O som “qs” pasa a ser exqrito “qs” u qe é muito maix qonforme à leitura natural.
No entanto, ax mudansax na ortografia podem ainda ir maix longe, melhorar qonsideravelmente.
Vejamox o qaso do som “j”. Umax vezex excrevemox exte som qom “j” outrax vezex qom “g”. Para qê qomplicar?!?
Se uzarmox sempre o “j” para o som “j” não presizamox do “u” a segir à letra “g” poix exta terá, sempre, o som “g” e nunqa o som “j”. Serto? Maix uma letra muda qe eliminamox.
É impresionante a quantidade de ambivalênsiax e de letras inuteix qe a língua portugesa tem! Uma língua qe tem pretensõex a ser a qinta língua maix falada do planeta, qomo pode impôr-se qom tantax qompliqasõex? Qomo pode expalhar-se pelo mundo, qomo póde tornar-se realmente impurtante se não aqompanha a evolusão natural da oralidade?
Outro problema é o dox asentox. Ox asentox só qompliqam!
Se qada vogal tiver sempre o mexmo som, ox asentox tornam-se dexnesesáriox.
A qextão a qoloqar é: á alternativa? Se não ouver alternativa, pasiênsia.
É o qazo da letra “a”. Umax vezex lê-se “á”, aberto, outrax vezex lê-se “â”, fexado. Nada a fazer.
Max, em outrox qazos, á alternativax.
Vejamox o “o”: umax vezex lê-se “ó”, outrax vezex lê-se “u” e outrax, ainda, lê-se “ô”. Seria tão maix fásil se aqabásemox qom isso! Para qe é qe temux o “u”? Para u uzar, não? Se u som “u” pasar a ser sempre reprezentado pela letra “u” fiqa tudo tão maix fásil! Pur seu lado, u “o” pasa a suar sempre “ó”, tornandu até dexnesesáriu u asentu.
Já nu qazu da letra “e”, também pudemux fazer alguma qoiza: quandu soa “é”, abertu, pudemux usar u “e”. U mexmu para u som “ê”. Max quandu u “e” se lê “i”, deverá ser subxtituídu pelu “i”. I naqelex qazux em qe u “e” se lê “â” deve ser subxtituidu pelu “a”.
Sempre. Simplex i sem qompliqasõex.
Pudemux ainda melhurar maix alguma qoiza: eliminamux u “til” subxtituindu, nus ditongux, “ão” pur “aum”, “ães” – ou melhor “ãix” - pur “ainx” i “õix” pur “oinx”.
Ixtu até satixfax aqeles xatux purixtax da língua qe goxtaum tantu de arqaíxmux.
Pensu qe ainda puderiamux prupor maix algumax melhuriax max parese-me qe exte breve ezersísiu já e sufisiente para todux perseberem qomu a simplifiqasaum i a aprosimasaum da ortografia à oralidade so pode trazer vantajainx qompetitivax para a língua purtugeza i para a sua aixpansaum nu mundu.

Será qe algum dia xegaremux a exta perfaisaum?
A minha missão está cumprida. Aceitam-se comentários.
Até breve

domingo, 11 de março de 2012

Cavaco meteu atestado médico...

Não consegui resistir à tentação de aqui trazer o texto de um post publicado no blog Aventar, cuja actualidade, significado e evidência, me trouxeram mais esperança para o futuro. À vossa atenção:

Cavaco meteu atestado médico
Posted on por


Será que um Presidente pode meter atestado médico?
Gostava tanto de um dia ligar a telefonia e ouvir esta notícia! Não porque lhe deseje mal. De todo, antes pelo contrário – tenho em muita consideração a saúde dos nossos reformados, que ainda por cima vivem com dificuldades, mas em nome da pátria, abdicam do ordenado e vivem só da reforma.
Acho que seria bom para o país estar uns tempos, sei lá, uns 100 anos, sem as suas infelizes intervenções.
Mas, será que isto pode acontecer? Em breve? E o Professor vai ao médico ou à consulta de recurso? Estou curioso…

Até breve

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Austeridade para quem ?!...

Circula nas redes sociais um mail, que me chegou por via de um amigo dilecto, sempre atento à "justiça social" que a classe política vai permitindo ou estimulando. O seu teor, de tão evidente, dispensa-me de quaisquer comentários. Desconheço a autoria e as fontes de que se terá servido. Também não sou especialista na matéria e a minha posição passa apenas por dar um crédito bastante superior a quem se debruçou sobre a questão e procedeu a uma trabalhosa recolha de dados que desse um mínimo de credibilidade ao trabalho, que à miserável classe política que permite todas estas terríveis incongruências e injustiças, habituada a "vomitar" para o povo os números que lhe interessam, a sonegar o que não quer que o povo saiba e... a pedir cada dia mais... austeridade!...






Mais austeridade? PARA QUEM?!...

1º Exemplo
- Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 (291.290,417 Euros);
- O Presidente da TAP recebeu, em 2009, 624.422,21 Euros;
- O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00 (151.471,017 Euros);
- Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;
- O Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português.

2º Exemplo
- A Chanceler Ângela Merkel recebe cerca de 220.000,00 Euros por ano;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 560.012,80 Euros;
- O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros;
- O Presidente da C. G. D. ganha por mês 50 anos de salário médio de cada português.

3º Exemplo
- O Primeiro-Ministro José Sócrates recebeu,  cerca de 100.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu 249.896,78 Euros;
- O P. C. A. da Parpública SGPS, ganha por mês 22,3 anos de salário médio de cada português.

4º Exemplo
- O Presidente da República recebe cerca de 140.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu 205.814,00 Euros;
- O P. C. A. da Águas de Portugal ganha por mês 18,4 anos de salário médio de cada português;

5º Exemplo
- O Presidente Sarkozy recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
- O Presidente da Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu 336.662,59 Euros;
- O P. A. dos CTT, ganha por mês 30 anos de salário médio de cada português.

6º Exemplo
- O Primeiro-Ministro David Cameron recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu 254.314,00 Euros;

7º Exemplo
- O Presidente da Assembleia da República recebe cerca de 120.000,00 Euros por ano;
- O Presidente de Administração da ANA, Aeroportos de Portugal SA. recebeu 189.273,92 Euros;
- O Vice-Presidente de Administração da ANA, recebeu 213.967,23 Euros;

"... O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos ou dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons...".

Martin Luther King

Até breve

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Desconsolo para quem vive a norte de Sagres !!!...

Vasco Graça Moura - acordo viola Constituição                    in "Público"
Os cérebros iluminados - do lado de cá do Atlântico, claro! - que contribuíram para a celebração do novo acordo ortográfico entre os países de expressão portuguesa, devem estar a revolver-se no "túmulo" em que sepultaram a língua universal de Camões e Pessoa!...  A superficialidade que usaram na cedência inusitada aos linguistas brasileiros que atirou a língua portuguesa para as profundezas dos infernos está a voltar, passe o pleonasmo, à superfície.
Já era difícil de admitir que Egipto devesse passar a Egito, quando os egiptólogos continuariam com "p". Mas há poucos dias, na Assembleia da República, o presumível ORGÃO MÁXIMO da democracia portuguesa, alguém afirmou em alto e bom som, que o "rei vai completamente nú"!... De facto se "espectáculo" passa a "espetáculo", alguns poderão compreender, porque o "c" é mudo. Mas mudos ficámos todos de espanto, quando confrontados com a irreversibilidade de "espectadores" passarem a ser "espetadores", deste modo simples e "tout court"!... Um "espetador", tanto pode ser aquele que exerce a acção de espetar, como o que, intectualmente evoluído, assiste a um espectáculo de ópera!...
Vasco Graça Moura, investido em novas funções que a mim e a muitos - milhares ou milhões será sempre subjectivo - portugueses terá causado uma relativa perplexidade, teve a coragem de dizer NÃO a toda a legião de arregimentados do acordo e "mandou" que todos os sistemas de compatibilidade ortográfica regressassem à estaca zero. E agora, como vai o governo dos Passos Perdidos, perdão, Coelho, dar a volta a mais esta "barbúrdia", que ultrapassa a da RDP e vira anedotário nacional?!...
Dois países lusófonos ainda não ratificaram o acordo! Estúpidos e botas de elástico ou mais "papistas" que o papa?!... Não, nada disso. São simplesmente coerentes, inteligentes e não estão enfeudados ao Rio, de Janeiro obviamente. Afinal a estupidez tem um sinal de STOP nas fronteiras desses países que defendem Camões e Pessoa, sem que ambos lá tivessem nascido. Pura ironia e desconsolo de quem vive para norte de Sagres!!!...

Até breve

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Só nos faltava esta !!!...

Maria José Morgado - in TSF/RádioNotícias
Só nos faltava esta!... Já não nos bastavam as quase sobrehumanas preocupações sobre a confrangedora debilidade económica do nosso esfíngico e modesto Presidente da República. Agora veio a distinta magistrada do Ministério Público, senhora doutora Maria José Morgado, sobrecarregar os nossos ombros com mais esta "dura realidade/responsabilidade", que será o facto de haver magistrados daquele profícuo departamento da justiça portuguesa a passar fome.
Não sei se algum dia serei capaz da admitir que a famosa revolucionária MiZéTung dos tempos salazarentos, tenha capacidade para definir com substância e conhecimento real o que é fome. Vivem em mim fortes suspeitas de que a palavra terá sofrido críticas alterações de sentido, entre as leituras dos livros e interpretações das sucessivas revoluções proletárias que foi lendo na sua juventude, desde Marx e Engels, passando por Lenine e Trotsky e acabando na Revolução Cultural de Mao. Temo que mesmo encarapitada em cima da pilha de todos os livros revolucionários que terá lido, alguma vez tenha chegado à estante onde jaz o famoso livro de "culinária" Levantado do Chão, onde aparece descrita a famosa sopa de saramagos, sem toucinho, azeite ou sal, que providenciou a verdadeira fome, como a conheceram os desgraçados alentejanos seus protagonistas.
De partir o coração a este desgraçado povo português, será tanto a "magistral fome" que a distinta magistrada apregoou nas hostes dos seus correlegionários, quanto as terríveis dificuldades económicas  que o desgraçado Presidente da República estará a passar e de que o próprio nos deu recentemente conhecimento.
Já não bastava a terrivel fome que assalta este desventurado povo na Saúde, na Educação, na Habitação, na Justiça, nos Transportes, na Fiscalidade e por aí fora, agora temos que carpir a mágoa das dificuldades esfíngicas e da fome da nossa pobre magistratura pública:
Oh mar, mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal?!...

Até breve