sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Só nos faltava esta !!!...

Maria José Morgado - in TSF/RádioNotícias
Só nos faltava esta!... Já não nos bastavam as quase sobrehumanas preocupações sobre a confrangedora debilidade económica do nosso esfíngico e modesto Presidente da República. Agora veio a distinta magistrada do Ministério Público, senhora doutora Maria José Morgado, sobrecarregar os nossos ombros com mais esta "dura realidade/responsabilidade", que será o facto de haver magistrados daquele profícuo departamento da justiça portuguesa a passar fome.
Não sei se algum dia serei capaz da admitir que a famosa revolucionária MiZéTung dos tempos salazarentos, tenha capacidade para definir com substância e conhecimento real o que é fome. Vivem em mim fortes suspeitas de que a palavra terá sofrido críticas alterações de sentido, entre as leituras dos livros e interpretações das sucessivas revoluções proletárias que foi lendo na sua juventude, desde Marx e Engels, passando por Lenine e Trotsky e acabando na Revolução Cultural de Mao. Temo que mesmo encarapitada em cima da pilha de todos os livros revolucionários que terá lido, alguma vez tenha chegado à estante onde jaz o famoso livro de "culinária" Levantado do Chão, onde aparece descrita a famosa sopa de saramagos, sem toucinho, azeite ou sal, que providenciou a verdadeira fome, como a conheceram os desgraçados alentejanos seus protagonistas.
De partir o coração a este desgraçado povo português, será tanto a "magistral fome" que a distinta magistrada apregoou nas hostes dos seus correlegionários, quanto as terríveis dificuldades económicas  que o desgraçado Presidente da República estará a passar e de que o próprio nos deu recentemente conhecimento.
Já não bastava a terrivel fome que assalta este desventurado povo na Saúde, na Educação, na Habitação, na Justiça, nos Transportes, na Fiscalidade e por aí fora, agora temos que carpir a mágoa das dificuldades esfíngicas e da fome da nossa pobre magistratura pública:
Oh mar, mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal?!...

Até breve

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O sonho comanda a vida !!!...

Mondeguinho, a Génese !...
A onda avança, vigorosa!... Mas temo que morra na praia, de mansinho, como todas as ondas que banham o "mar" da Ria que me beija a casa e os olhos todas as manhãs. Ah se em vez da pacatez e brandura desta Ria amiga, eu pudesse acordar com o bramir de um mar alteroso, indomável e assustador... Ah pobre e triste povo português que passas toda a tua vida em rias de brandura, desconsolo e servidão. Ah quando virá o dia em que berras, gritas e brames como o mar, esse mar que só os Dias, Gamas e Cabrais conseguiram domar?!...
Guimarães assustou e fez tocar a rebate. Eram poucos?!... Aljubarrota também se fez com poucos. Mas a indignação era muita e a revolta também lá estava. Berraram pouco?!... Mas eu ouvio-os aqui no meu canto! E quantos mais os ouviram ?!... Talvez mais do que a água da fonte de Boliqueime seja capaz de afogar!... Quem sabe?!... O Mondeguinho também é muito pequenino na Estrela, Basófias em Coimbra e grande no Atlântico, por detrás do abrigo do Cabo que lhe engrandeceu o nome.
Ah como era bonito Guimarães ser um novo berço. Não da nacionalidade, que já foi e o tempo não volta para trás. Mas da recuperação da dignidade deste desventurado e espezinhado povo. Ah como era bonito ver engrossar este novo "mondeguinho" e assistir a uma invernosa enxurrada, que começasse por varrer a "esfíngica" figura e levasse depois à sua frente toda essa corja de cucos e papagaios, que nos usurpam o ninho e comem os girassóis!...
Hoje verti a minha humilde lágrima aqui!... Para engrossar o rio da revolta e da indignação. Dizem que já são mais de 25.000 os revoltados e indignados. Amanhã?!... Não sei. Ninguém sabe, mas Deu-la-Deu também não sabia se os galegos iriam embora e ...  deu-lhes os pães da sua fome. E eles foram. Como a "esfinge" também poderá ser obrigada a ir. Se as "lágrimas" da revolta e da indignação de cada um, se juntarem e "fizerem" a enxurrada da libertação. Deixem-me sonhar...

"... Eles não sabem nem sonham, que o sonho comanda a vida, que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança !..."


Até breve

sábado, 21 de janeiro de 2012

Afastar de nós este cálice ?!...


Uma onda de indignação revolve este país de lés a lés. As palavras do "Supremo Magistrado da Nação" caíram como uma bomba, um ultraje, uma inaceitável e inqualificável mentira. Finalmente o pai da crise que assola violentamente o país, o mentor primeiro de um modelo de desenvolvimento que, condensando fraude e fracasso e cohabitando despudoradamente com o clientelismo e a corrupção generalizada, atirou um povo inteiro para o precipício,
                                          deixou cair a máscara !...
A água que sobrou do violento temporal que a sua míope acção governativa provocou e continua a provocar no país, nunca o molhou. Convencido do seu papel providencial na vida pública portuguesa, foi colocando sobre a sua esfíngica figura, o manto diáfano da virtude e da infalibilidade - NUNCA ME ENGANO E RARAMENTE TENHO DÚVIDAS!... -, mas como o azeite, a verdade subiu e nadou, nua e crua, quando o silêncio seria mais inteligente e aconselhável: como o vulgar criminoso, Cavaco Silva voltou ao local do crime e refletiu com as inclassificáveis palavras que proferiu, a pobreza da sua figura e o miserabilismo moral e cultural da sua mensagem e dos que, em genuflexão vergonhosa, lhe deram suporte em toda a sua carreira política.
Pouco mais resta a este desesperado e desgraçado povo português, que aguentar este exemplar máximo da desfaçatez até ao final do seu triste e desprezível mandato!... Portugal jamais se poderá comparar a uma potência económica, mas democrática, como os Estados Unidos, onde a lei ainda se sobrepõe a todas as corrupções e jogos de bastidores. Nem sequer se poderá comparar ao Brasil, onde, correndo ainda algum do sangue do crime e da corrupção que herdou do génio luso, à Justiça ainda resta algum pingo de vergonha e de dignidade. Aqui, hoje por hoje e não sei por quantos séculos mais, os "impeachments" de Richard Nixon e Collor de Mello, seriam impossíveis. Razões existem e de sobra, mas a espinha da magistratura portuguesa, tem um desenho mais curvo que a foice dos desaparecidos, corajosos e combativos ceifeiros alentejanos.
Nunca compreendi, em toda a minha sofrida juventude, os quase 50 anos do Estado Novo e a mansidão e brandura deste povo desgraçado e miserável. Hoje começo a compreender melhor, porque pode um povo sofrer tanto e durante tanto tempo. O povo que viveu e sobreviveu na ditadura, nunca teve armas que lhe permitissem vencer os esbirros que o espezinharam tanto tempo. E não fora a terrível luta de defesa de privilégios, não teria havido Capitães nem Abril.
Mas agora que o povo tem nas suas mãos, todas as armas necessárias para derrubar os energúmenos e mentecaptos que nos dirigem e governam, continuo sem compreender porque não somos capazes de...
                                ... afastar de nós este cálice ?!...

Até breve  

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Porca miséria !!!...

In Diário de Notícias
Começa bem o ano de 2012!... Não para o desgraçado do povo português que, de degrau em degrau, vai descendo ao poço negro para onde o atira a corja que nos governa. Mas para todos aqueles que se sentam à mesa do poder e muito particularmente, para aqueles que "vivem das migalhas" que "escorrem" da lauta dita, que o povo submissa e asininamente repõe em cada dia, 2012 será, quase pela certa, um ano de glória.
É um fartar vilanagem!... Nos últimos dias, temos vindo a ser informados sobre as dezenas e dezenas de "pobrezinhos" que recolhem as migalhas nas grandes empresas monopolistas estatais e privadas que, de algum modo vivem ou dependem do orçamento de todos. Ontem, anteontem, hoje e amanhã é um correpio desabrido de "pobres" a correr para EDP's, Águas de Portugal e tantas outras, na busca das redentoras sobras.
Em informação e vídeo disponibilizado aqui, podemos compreender porque Eduardo Catroga se empenhou tanto nas negociações com a Troika, concertando a privatização da EDP. Pudera, com um horizonte de 639 mil euros anuais, qualquer um de nós entregaria de mão beijada, uma das empresas mais pujantes e lucrativas do país. Calhou serem os chineses, mas poderiam ter sido os alemães ou os brasileiros, a Catroga isso não tiraria o sono. O que o fez correr e abdicar do folclórico lugar de Ministro das Finanças, foi a perspectiva de um milionário ordenado mensal que ultrapassa os 45 mil euros!... Mas o pobrezinho, questionado sobre o "balúrdio" que vai embolsar, tem a lata de afirmar que tal "insulto" tem um efeito distributivo para as políticas sociais, como pode ser apreciado aqui. Mas a desfaçatez continua, quando, contrariando as disposições legais ditadas pela austeridade, este pobre paroquiano, vai continuar a receber a sua pensão de reforma de 9.600 euros. A lei diz que não poderão ser acumuladas pensões de reforma com honorários provenientes do desempenho de nova actividade profissional pós-reforma. Mas ao nosso Catroga e milhares e milhares de "catrogas" por esse país fora, as míseras reformas hão-de continuar  a juntar-se às migalhas das EDP's e similares.
Entretanto, Maria - o nome é obviamente fictício, pois a divulgação do seu nome real poderia causar-lhe os transtornos que sabemos - que vegeta a poucas léguas aqui de casa, com um rancho de filhos e o marido desempregado, viu-se obrigada a aceitar um contrato a prazo, de três meses, para trabalhar na loja mais importante de Aveiro, de um tal senhor que transferiu a sede da sua empresa para a Holanda, cumprindo um horário que vai das 00.00 às 05.00 horas da manhã, sem transporte público ou privado que cubra os quase 5 km que a separam do local de trabalho - vai na pasteleira do homem, coberta de ferrugem, coitada! -, para receber, também migalhas, mas bolorentas e intragáveis, que se cifram nuns humilhantes 2.20 Euros em cada hora.

E o povo a que pertence Maria, continua calmo e de costumes brandos. "No pasa nada" neste desgraçado país! Daqui por três anos, também calma e brandamente, lá irá colocar o "papelinho", à espera que o sol brilhe para todos nós! Porca miséria!!!...

Até breve


sábado, 31 de dezembro de 2011

Que 2012 nos traga uma pontinha de céu azul !...

O horizonte do ano que aí vem dentro de horas, não é bonito, nem agradável, nem faz adivinhar tempos melhores. Está carregado de nuvens, tempestades e um frio enregelador e a roupa que cobre os corpos da maioria dos portugueses é escassa e já está gasta pelo demasiado tempo de uso, sem renovação nem meios que a permitam...
Não é fatalismo o que me povoa o pensamento neste último dia de 2011. É desespero por sentir que não temos sido capazes como povo, de fazer a revolução que merecemos e castigar quem nos desespera em cada dia que passa. E mais um ano vai começar, quase sem esperança, porque parece que nunca mais chega a hora de abrirmos os olhos e tomarmos consciência que nas nossas mãos poderá estar um futuro diferente e melhor.
Nunca compreendi a razão porque a água apenas molha os desprotegidos e é seca e benigna para os trapaceiros e corruptos que com as nossas própria mãos colocamos no poder e alimentamos a lauta mesa onde engordam e dinasticamente se renovam. E muito menos, porque o céu continua azul para toda essa corja que, ironicamente, apenas nos recompensa com a desesperança e com nuvens carregadas de um negro cada vez mais negro e desanimador.
Mas no meio do pântano em que todos nos movemos, entre répteis venenosos e tristes e inofensivas minhocas,  acredito que alguém ousará sobreviver, alguém arriscará dizer não e o futuro poderá ser diferente. Que 2012 possa trazer-nos o nascimento dessa esperança e que a cegueira colectiva que nos tem marcado a vida e roubado o futuro, possam dar lugar a uma pontinha de céu azul, da felicidade dos que nunca com ela se cruzaram.

Até breve

domingo, 11 de dezembro de 2011

Ainda há quem persista em ser decente !!!...

Ontem encontrei na minha caixa de correio electrónico, uma mensagem do meu velho amigo Ramiro Ruas, alcobacense de gema e dilecto companheiro de jornadas académicas, militares e profissionais, que me orgulho de contar, desde então e até hoje, no meu restrito círculo de amizades incondicionais. Unem-nos princípios e valores que vão passando de moda, mas que a ambos nos fazem julgar decentes.
E a mensagem que me enviou, fala de decência e eu não fui capaz de conter a emoção com que a li. Primeiro, por esse meu amigo se ter lembrado de mim quando, embora já perdida no tempo, lhe chegou às mãos a dita mensagem e ma reenviou. Depois, porque tive em tempos o privilégio de corresponder, orgulhosamente, ao cumprimento de mão estendida com que o seu protagonista me honrou.
Alguns dias depois de ter sofrido um violento acidente de trabalho, com o braço direito ao peito, não quis deixar de corresponder ao convite amigo e amável de um primo da minha mulher, para estar presente na cerimónia e subsequente almoço do seu casamento. E, após a cerimónia oficial no Registo Civil do Seixal, numa quinta também da margem sul do Tejo e quando todos se preparavam para ocupar os seus lugares de convivas, eis que chegou, quase anonimamente, sem séquito e sem as habituais e constrangedoras mordomias de segurança, um ilustre convidado da noiva, que fez questão de cumprimentar um a um, todos os convidados. Chegado junto de mim, olhando para o meu braço direito engessado, perguntou se eu teria andado à pancada com alguèm, ao que respondi, embaraçado, que não senhor General, que havia sido em trabalho. De imediato, enquanto me dizia que eu mereceria um cumprimento especial, estendeu-me a sua mão esquerda e eu, confuso e sem palavras, correspondi. Esse ilustre e distinto convidado da noiva era o General António dos Santos Ramalho Eanes, que pouco tempo antes terminara o segundo e último mandato como Presidente da República Portuguesa.
Há factos, gestos, pormenores, que marcam a vida de cada um. O General, com a sua quase atroz simplicidade e modéstia, deixou em mim uma admiração que, volvidos quase 25 anos, permanece viva e os circunstancialismos da vida pública portuguesa, apuraram de forma quase mítica.
Quando a mensagem do meu querido amigo Ruas me chegou às "mãos", embora escrita e publicada pelo insigne jornalista e escritor Fernado Dacosta, homem de esquerda muito próximo de Agostinho da Silva e Natália Correia, de saudosa memória, há alguns anos atrás e que poderá ser apreciada em "memóriarecenteeantiga", - blog que não conhecia mas que passou a figurar nos meus preferidos -, o filme foi rebobinado na minha memória, a admiração pelo General Ramalho Eanes saiu reforçada e a certeza de que terá - recusado que foi o bastão de Marechal - preservado um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes, é-me suficiente para erguer a minha cabeça e continuar a olhar de frente e com dignidade crítica, os atropelos a que o Presidente da República em exercício - e outros, e... tantos outros!...-, enleado e enlameado na mais abjecta corja de corrupção de que haverá memória em solo luso, despudoradamente se sujeita.
Decência, é o que 99 em cada 100 políticos portugueses, "corajosamente",  insiste em mostrar desconhecer!!!...

Até breve

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

É preciso ter lata!...

Hoje, no jornal das 13 da TVI, foi destacada a notícia de que o presidente da Câmara Municipal de Amares no distrito de Braga, José Lopes Gonçalves Barbosa, terá mandado construir uma casa para habitação própria em zona de reserva agrícola, em contravenção com o que se encontra legalmente estabelecido a nível nacional, para todas as zonas de reserva agrícola, o mesmo acontecendo em relação ao que se encontra estabelecido no Plano Director Municipal da referida autarquia.
Confrontado por repórteres daquela estação de televisão, com o caricato da questão, o autarca afirmou em entrevista transmitida no referido noticiário que "... antes da denúncia estava tudo absolutamente normal!..." e que, no que ao PDM dizia respeito, se alguma inconformidade viesse a ser comprovada, facilmente seria ultrapassada com uma alteração do referido PDM.
Mais um triste exemplo de como os autarcas eleitos pelo povo se aproveitam do poder com que são investidos, para benefício exclusivamente pessoal. Já não nos bastavam os degradantes casos protagonizados pelos Avelinos Ferreira Torres, Fátimas Felgueiras, Isaltinos Morais e tantos outros espalhados por esta autêntica "república das bananas". Chega-nos agora mais uma prova de que nada mudou, nem vai mudar tão cedo, no panorama da vergonhosa corrupção em que se move a privilegiada classe política portuguesa.
E quando todos assistimos aos silêncios ensurdecedores, vindos dos corredores das instâncias que deveriam investigar processos desta natureza, como o Tribunal de Contas e Procuradoria Geral da República, mais firme vai sendo a nossa convicção, de que neste pobre e desgraçado país, o céu é apenas azul para alguns e a água só é molhada para os que sobram...

Até breve